Trovão

Por muito tempo quis ser fogo,

Áries com sagitário não poderia ser diferente.

Não só destruição, mas luz e calor.

Me via em fogueiras e também em vulcões escorrendo.

Nas chamas dançantes que convidam a tocar.


Sempre tive vontade de segurar o fogo,

assim como a água já tentei segurar,

mas são histórias bem diferentes,

pois um resulta em fracasso, e o outro, tragédia.

Não segure o fogo, e não deixe ele te segurar.

O primeiro erro que encontrei, pois tendo a encostar,

Preciso de contato como preciso respirar.


Em meu peito ele ardia, implorando atenção,

“deixe-me te motivar”, ou se tornava destruição,

não só em mim, mas para os outros ao redor,

esse fogo acumulado só me causava dor.


Com o tempo me frustei, mas ainda tentei.

Como trair o fogo, se ele tanto me representa?

Mas além de violento, o reconheci como silencioso.

Consome em chamas sem emitir um som,

avança, e sem abrir a boca, se torna destruição.


Percebi então o segundo erro:

Eu sou estrondo. Eu ribombo.

Logo tive de abrir mão do fogo,

e me vi trovão.


Não apenas ele, mas tudo com ele agregado.

O relâmpago, as luzes, o susto do vento gelado.

As nuvens carregadas que arrastam o céu,

e a chuva torrencial que escorre com a dor acumulada.

Chuva que lava através do caos, e se sente na pele.

O fogo já não pode mais ser minha verdade,

e é por isso que hoje sou tempestade.