A LISTA DE ODEBRECHT

A não ser que você tenha adormecido nos últimos 40 anos — quiçá 50, 60 ou 70 — e, assim, não tomou conhecimento ou não prestou a atenção, a política brasileira, desde os primórdios, sempre foi aconchegada aos favores e retribuições aos poderosos. Um toma lá dá cá típico das relações de suposta cordialidade do brasileiro. Portanto, dinheiro nunca foi problema para a política. Sempre foi solução, sobretudo, nas campanhas eleitorais, quando o numerário fala mais alto na hora de pagar a legião de correligionários e serviçais, acertar o silêncio de um ou outro chantagista ou mesmo dar o jogo de camisas pro time de futebol da rapaziada, a dentadura do cidadão ou o padrão de energia pra iluminar a vida do eleitor. Com os anos, as supostas dádivas passaram ao transporte generoso de pacientes em ambulâncias, caminhões de mudança, bolsas de estudo, enfim, um leque de opções ao preço de apenas 1 sufrágio ou, quem sabe, dos votos de toda a família e dos amigos, da associação, dos vizinhos, de toda a rua ou mesmo do bairro inteiro…

Eita político generoso este! Mas, como ninguém (pelo menos no Brasil) faz caridade com o próprio dinheiro, muito menos o fará o lobo travestido de filantropo. Digamos que o financiamento de todo este festival de bondades seja patrocinado pelo(s) padrinho(s) sensibilizado(s) pela plataforma política do candidato. Taí, negócio fechado! — Eu te ajudo agora e você me ajuda depois! Exceções à parte, quanto mais votos encher o balaio mais fácil o dinheiro sai…

Se isso passou a incomodar, o jeito, então, foi criar algum tipo de controle, oficializando a contribuição de empresas mediante registro, nota fiscal ou contrato. Quem investiu que se declare. Quem recebeu que preste contas! Estava oficialmente reconhecido o negócio entre empresas e políticos. Mas, as contingências — vai saber — de ambas as partes falaram mais alto e o chamado “por fora” ou “caixa 2” tornou-se prática tolerada ante a vista grossa dos que fazem e supostamente zelam pelo cumprimento das leis. E, assim, todos os pseudo inocentes caíram neste canto da sereia. Uma espécie de conto do vigário, onde o verdadeiro inocente é aquele que dá o voto, porque também já recebeu sua merreca…

A política brasileira, com poucas exceções, passou a ser inteiramente financiada pelo capital, que não tem pátria, não vota e submete tudo e a todos ao seu objetivo de lucro. E haja retorno quando o parlamentar vota direitinho de acordo com os interesses do investidor…é lucro na certa! Bingo!

Taí a lista de Odebrecht, que poderia ser a de Schindler, a nos salvar da solução final que nos querem impor os golpistas. Mas, ela não salva ninguém! Muito menos os políticos que dela fazem parte. Ainda que muitos possam provar que os recursos sejam de doações lícitas, declaradas e de domínio público. Não duvido. Mas, em tempos do “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”, ficou osso provar alguma coisa. Aliás, todo o descrédito lançado sobre a atividade política pela oposição, inconformada com a derrota, volta-se agora, contra ela própria, como a certeza de que as doações são ilegais e/ou imorais. Culpa dos falsos moralistas…

Mesmo que Janot não reconheça como válida, que Moro lance sobre ela o sigilo tardio dos oportunistas da República do Paraná e a Rede Globo hipocritamente evite divulgá-la, a lista de Odebrecht está pública pra todo mundo conferir. Tem nomes que até o Santo duvida. Mas, e as provas?! Provas?! Quem está preocupado com elas em tempos de Lavajato?!…

A lista de Schindler, sem dúvida, tinha objetivos mais nobres…