Marcelo Probst
Jul 20, 2017 · 2 min read

Aqui é muito claro e a falta de cortinas potencializa tudo. Aqui é tudo distante. As coisas e as pessoas. Tudo tem que gritar para ser ouvido. Aqui todo mundo sabe demais. A humildade foi esfaqueada a luz do dia e a gente grita porque não se escuta. Vê-se um tanto de bobagens e não consegue se enxergar. A gente tem errado pra todo lado. Cansei de dizer o que quero já que o que quero é não ter que falar. E acho que é por isso que eu grito. E porque sou louco. E porque sou histérico. E grito. Grito porque está tudo esquisito. Será que é isso? Desisto? Aqui eu sou imperfeito. Cozido. Escaldado no sol do dia. Vendendo imagens sem categoria. Aqui eu não sou ninguém, não sei de nada e sou insistentemente criticado. E quando vejo eu fujo do meu próprio refúgio. Porque quero silêncio. Eu gosto de silêncio. Não quero explicar. Queria o que achei que seria. Se continuar assim me perco e não me acho. E comigo é sempre a mesma coisa. Me amam como sou só até terem a mim. Depois querem que eu seja outro. E isso eu não faço, caro amigo.

Sou assim e nem ligo. Quando olho no espelho vejo todos os defeitos ampliados como se fosse côncavo e gosto até mesmo do pior de mim. Da minha parte mais egoísta, que é o que me fez sobreviver num mundo maior que esta sala grande. Maior que o nosso ego somado ou multiplicado. Alguma hora a gente tem que parar de falar e ouvir. Que não são aqueles que passam os melhores dias e sim os que esperam enquanto a gente se perde por aí na vida. Agora era para ser a hora da vida escolhida. Plantada e colhida. Da liberdade acolhida. Mas eu quero voar. Daqui mesmo da janela. Assim que o sol me deixar. Viver. E a chuva cair pra mim, como sempre. E me encher de sonhos contidos em trovoadas ao longe. E no entanto longe é onde quero estar. Que pena.

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