Agosto

Gosto de me deitar na cama; e olhar para o teto e para o nada.
Gosto da minha injustiçada bagunça; prefiro a aleatória organização de meus pertences, mania de gênio tolo.
Gosto de interpretar a vida das outras pessoas, como passatempo, mera diversão.
Gosto da sua vergonha ao me ver em trajes velhos; velha mania de conforto, algodão.
Gosto de beber do bico quando só, de beijar a boca quando dois. Gosto muito mais do silêncio do que do ruído. Gosto da sujeira, da ira e da dor doída da solidão Gosto de poluição. . . . Pra gostar de mim, goste de minha podridão.


Originally published at nuembromas.blogspot.com.br on September 6, 2012.