Pontuações sobre o eu e o desejo

Marcelo Santos
Sep 6, 2018 · 2 min read

Como o existencialismo bem pontua a vida humana possui uma angústia inerente ao viver. Nossa capacidade de criação dos sentidos, significados, é benção e maldição. Excetuando necessidades fisiológicas e decorrentes da evolução, não possuímos um manual de como viver, isto é, a melhor forma de obter satisfação máxima para todos com as mesmas atitudes; uma maneira universal de agir. O raciocínio, o pensamento e, principalmente, a criatividade, junto a não existir uma regra geral, provoca um desnorteamento, uma confusão, sempre se perguntando se é isto mesmo que quero. Ao se indagar se minhas atitudes, meu trabalho, minha visão, são exatamente o que quero, caímos no dilema principal: Se não pudesse refletir o significado das minhas atitudes seria “mais feliz”, mas não teria o poder de criação. Se posso refletir, crio significados, sou criativo, mas posso sempre me perguntar se sou o que desejo ser, e mais, o que queria ser ainda satisfaz o que sou? Tais perguntas escondem uma inter-relação entre o eu e os desejos. Eu sou o conjunto de características sondáveis e visíveis para mim e para o outro, mas, também, adiciono os desejos. O eu é constante no tempo. Os desejos não são. Geralmente o eu é factual, flexível quando trata-se de obviedades, a mutabilidade normal. Exemplo: Alterações na cor da pele, aumento ou diminuição do cabelo, alteração na altura conforme a idade e etc. O eu possui relação com objetos, e é reconhecido por eles. Mesmo que não me reconheça como outrora ainda namorei X, sou filho de A e etc.Negando para mim todas as relações com os sujeitos ainda criei “marcas” e sou “marcado pelas minhas relações”. Tendo um amigo que não vejo faz muito tempo ao encontrá-lo, observando o fator memória, ele ainda se lembra de mim, esta é a marca ao qual me refiro.