É POSSÍVEL MODIFICAR E APRIMORAR O
MODO DE SE MOVER SOBRE A TERRA

A colonização da América foi toda feita descalça. Até os anos 70 jogávamos bola descalços, crescíamos descalços e nossos sapatos eram bem duros. A revolução industrial não só nos calçou como também criou a necessidade de venda em massa de produtos. Hoje crescemos com os pés fracos e desadaptados. Outra coisa é que desde os anos 70 criou-se o hábito de correr e com a evolução principalmente da nutrição, isso se massificou. O fato de ser natural correr nas pradarias descalço não significa que no ambiente urbano feito para os automóveis podemos agir igual.

Que tal reconhecermos que o tênis é um avanço tecnológico possível ao nosso ambiente cultural se reconhecermos as desadaptações que ele, junto com nossos hábitos podem causar em nosso sistema músculo esquelético. 
Em nosso trabalho, propomos esse fortalecimento de todo o corpo controlando suas forças. Tenho recebido diversos pacientes com fraturas de estresse nos metatarsos devido a mudar dessa forma a corrida e outros com lesões importantes na panturrilha. Já os tênis minimalistas têm aumentado lesões no primeiro metatarso falangeana.

Em sua visita recente ao Brasil, a pesquisadora e fisioterapeuta de Harvard Irene Davis nos chocou durante o curso em Campinas com várias afirmações radicais baseadas em evidências. Uma delas foi aconselhar todos a correrem com apoio inicial no antepé, usando calçados minimalistas (diferente de tênis minimalistas), pois fomos feitos para correr descalços e os sapatos nos desadaptam a força dos pés. 
Além disso, recomendou que todos os corredores devem fazer apoio inicial no antepé, mesmo sabendo que em populações que fazem muito pouco uso do calçado a variação do tipo de pisada acontece naturalmente.

Ainda acho o apoio no calcanhar na corrida melhor e mais seguro com tênis firme, porem diminuindo a freada e com pés fortes que trabalhem bem o apoio e propulsão mais longa com cadências menores. Essa receita já usamos com ótimos resultados em atletas amadores e de elite.

“Os bandeirantes e os tropeiros chegavam descalços à cidade de Assunção, conforme uma carta de 1676 comentada por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra Caminhos e fronteiras: “A pé e descalços, os paulistas marchavam por terras, montes e vales 300 e 400 léguas, como se passeassem pelas ruas de Madri”. No século XVI, Tomé de Souza registrava que “João Ramalho, com mais de 80 anos, andava nove léguas a pé, antes do jantar”. Para se ter uma ideia, até o começo do século XIX o caminho de São Paulo a Santos ainda não era inteiramente carroçável. A maioria dos habitantes da Vila de Piratininga, mesmo os mais ilustres, nem sequer possuía sapatos. Conforme explica Holanda (1994), enquanto os brancos, por disposição natural ou por educação, costumam caminhar voltando para fora a extremidade de cada pé, o índio caminha […] com os pés para frente […] A planta e os dedos do pé aplicam‑se inteiramente sobre o solo, porque todo o peso do indivíduo recai sobre o conjunto de maneira uniforme, ao passo que entre os brancos o polegar suporta uma parcela de peso desproporcionalmente maior…

Nenhuma junta desenvolve mais trabalho do que as outras, nenhuma parte sofre mais cansaço que as demais e assim − viribus unitis − tornam‑se possíveis percursos mais intensos.Todos esses dados servem para enfatizar que não existe uma época ou um lugar em que as pessoas encontrem a adequação perfeita entre seu corpo e o ambiente. Desde que o pitecantropo pré‑humano começou a assumir uma posição ereta, a movimentação dos homens pelo solo significa um constante enfrentamento da gravidade. “(Trecho do livro Força Dinâmica postura em movimento Blass A. Semiatzh M. 2014)

Do Nosso livro Força Dinâmica, postura em movimento.(Alexandre Blass e Marcelo Semiatzh) https://www.amazon.com.br/For%C3%A7a-din%C3%A2mica-Alexandre-Blass-ebook/dp/B00PSS9EWY/ref%3Das_sl_pc_tf_til?tag=wwwforcadinam-20&linkCode=as1&creativeASIN=B00PSS9EWY

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