Eu sou assim, sempre fui.
Caótico demais pra caber dentro de uma caixa.
Quadradinho demais pra viver de arte.
Por isso que eu vivo em cima desse muro.
As vezes eu nao sei o que sinto,
Outras vezes eu sinto que não sei é de nada.
E o quanto menos eu sei, menos eu quero saber.
Saber?
Pra que? 
Pra nada! Deixa pra lá.
Vamo viver, vamo ser feliz.
O agora é simultãneo, é sistêmico, 
universo,
relativo,
vivo.
Ao vivo.
Ou você dança com ele ou você documenta.
Deixa o documento pra quando a música acabar.
Nunca.
Saber, e daí? O conhecimento é tardio.
O conhecimento é a arqueologia da vida.
Quando você namora com ele já está viúvo.
Poeta das lápides.
Quem quer ser um cinegrafista no show da vida?
Aquele cara que filma show em vez de pular no meio da galera..?
Eu quero, às vezes!
mas não queria querer.
Folha ao vento.
Vela ao vento.
Chão de cimento,
cheguei no escritório.
Acabou o banho de sol.

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