Qual a cara da sua empresa?

Por métodos simples de determinar a força da identidade de seu negócio.


Me incomoda encontrar diversas teorias elucubradas e complexas para a criação de qualquer coisa relacionada a modelos de negócios. O próprio Business Canvas, que, em sua fundação, teve por objetivo simplificar o processo de criação de um negócio, funcionou como um ímã de novas máximas que devem ser seguidas à risca, ou você está fazendo algo errado.

Por isso, me motivei a criar uma proposta de abordagem simples, tomando como principal público o MEI (Microempreendedor Individual). Gostaria de enfiar na cabeça de muita gente que nada é obrigatório, que o Lean Startup não é uma Bíblia para empreendedores. Vamos começar com duas ideias:

O seu negócio não precisa ser escalável.

Por definição, negócios escaláveis são aqueles cujo produto/serviço pode se reproduzir rapidamente e em grande quantidade. A intenção disso está apenas em tentar criar negócios que sejam produtivos e gerem lucros de forma rápida e constante. Mas não precisa ser assim: você precisa ter clientes. Apenas isso. Se você oferecer um produto que, de imediato, possua clientes, comece pelo óbvio — venda o produto. O Carlos Matos, nesse artigo, fala sobre isso de forma bem mais completa.

O seu negócio não precisa ser inovador.

Ele precisa ter a sua cara. Antes de ser uma ideia revolucionária, ele precisa ser algo que você é muito bom fazendo (ou que você é muito bom em encontrar e coordenar as pessoas certas para fazê-lo), ou não faz o menor sentido se esforçar nisso — a menos, é claro, que você esteja muito disposto a aprender a ser bom nisso, em primeiro lugar. Portanto, devemos pensar de forma mais prática: o seu negócio precisa ter clientes e você precisa ser muito bom no que faz. Ponto.

Voltando a teorias de negócios, nunca encontrei algo direto ao ponto no que se refere a criar a sua marca. Todos os processos de desenvolvimento de um forte relacionamento com o cliente e de estratégias de Marketing (lembre-se sempre que o Marketing é estupidez e não existe) passam por diversas teorias e categorizações desnecessárias.

“Done is better than perfect.” — Sheryl Sandberg

Fato: é fácil perceber como o seu negócio está sendo recebido pelos clientes; você só precisa ouvi-los, se importar com eles. Medidas numéricas são refinamentos do controle de qualidade, e podem ser utilizadas em etapas mais maduras de seu negócio. O ponto é que, por muitas vezes, tais medidas são tidas como o começo obrigatório do processo.

Proponho 18 perguntas para que você valide a força de sua marca e, consequentemente, a relevância dela para os seus clientes. Chamei o diagrama abaixo de Círculo de Análise da Marca (CAM), e gostaria de compartilhá-lo.

Conheça seu negócio.

Responda às perguntas: por que a sua empresa existe? Em que você quer ser o melhor do mundo? Sempre tenha em mente, ao tomar qualquer decisão da empresa (e especificamente nesse caso, representação interna e externa), como transmitir a sua proposta de valor aos interessados. O porquê de você fazer algo, qual a sua história e motivação, frequentemente, é mais importante em termos de atrair atenção do que o que você oferece. Conte a sua história e, principalmente, seja fiel à sua proposta.

Para refletir: você acredita e defende a sua proposta? Você ama o que faz? Se tiver alguma resposta negativa, pare a leitura e desista do seu negócio.

Conheça seus clientes.

Saiba tudo sobre eles: o que querem, o que definitivamente não querem, como eles são conquistados e, acima de tudo isso, como você conversa com eles. Fale da maneira correta, e transborde isso através de sua marca: seja específico. Atinja quem faz sentido atingir. Alinhe sua proposta ao seu público alvo, e você terá uma comunicação poderosa e de relevância. Queira sempre ser relevante para os seus clientes.

Pense assim: você sempre procura ajudar os seus amigos de verdade, não é? Pois ajude os seus clientes; seja amigo de seus clientes.

Crie uma marca forte e coerente.

Agora que você sabe muito bem qual a sua proposta de valor e quem são os seus clientes, materialize isso em uma marca forte e coerente. Crie uma identidade que transmita o seu valor de forma simples e consistente.

Se importe com a sua aparência. Pessoas gostam de coisas visualmente atraentes. Pense em algo que seja leve, descontraído e fácil de replicar. Possui dúvidas? Siga esse vídeo, e você não irá errar (terá um bom norte para começar a definir a sua identidade visual).

Garanta que a sua marca esteja sempre saudável.

Isso quer dizer, principalmente, que você deve garantir que ela esteja sempre sendo percebida da maneira como foi planejada; se a proposta está sendo transmitida e se é para as pessoas certas.

Além disso, seja criterioso: analise se a sua marca fica na cabeça dos clientes e se ela pode ser facilmente substituída. Caso positivo, talvez ela não tenha a força que você pensou que tinha. Revise.

Parabéns, agora você tem uma marca poderosa e está apto a fazer a diferença com o seu negócio para o seu cliente. Parece complicado?

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