A solidão no trabalho literário

Márcia Silveira
Mar 5 · 2 min read

Em 2016 eu encerrei meu trabalho de 15 anos com fotografia (9 como freelancer, 6 como fotógrafa de família) e em 2017 comecei a me dedicar a algo que já fazia parte da minha vida há muito tempo, mas como coadjuvante: a escrita.

De lá para cá, tenho feito muitos cursos (escrita criativa, revisão e preparação de textos, ghostwriting, tradução, entre outros). Acredito que em qualquer área o aprendizado deve ser constante e eu sempre procurei estudar muito. Além de estudar, eu publiquei contos em antologias, um e-book com fotos e minitextos, fui convidada para escrever uma coluna de crítica literária no jornal Diário do Rio.

Tem sido um caminho trilhado passo a passo com muito empenho, alguns tropeços, algumas vitórias. Mas tem um aspecto desse trabalho literário com o qual eu tenho achado difícil lidar: a solidão.

Como fotógrafa, eu também passava horas e horas sozinha na frente do computador editando as fotos. Mas durante a outra parte do trabalho — fotografar — eu tinha a companhia de outras pessoas: os clientes, às vezes outros fotógrafos ou uma assistente. Porém, com a literatura não tem sido assim. Quando estou lendo, estou sozinha; quando escrevo, estou sozinha. Revisar, traduzir… Tudo é solitário. Esta solidão muitas vezes me desanima.

Além disso, na fotografia eu tinha um prazo para entregar meu trabalho ao cliente. Na literatura… Quem pode me cobrar o término da escrita do meu romance a não ser eu mesma? Eu não tenho aquele encontro com o colega no cafezinho para comentar como aquele parágrafo está truncado; ou alguém para me motivar quando a vontade é de jogar tudo para o alto. O tempo inteiro sou eu comigo mesma. E isso às vezes não é fácil.

Os textos para o Diário do Rio, que têm prazo, eu entrego sem falta; mas o que depende apenas de mim, acaba ficando sempre para depois. Eu sou muito correta quando o compromisso é com outras pessoas, mas quando é só comigo, o bicho pega.

Não estou reclamando. Eu escolhi trabalhar com literatura e estou contente com a minha escolha. Mas às vezes me pego pensando se haveria uma forma de tornar este ofício menos solitário. Acho que este texto é uma tentativa de não me sentir tão isolada, de me aproximar de quem sempre me vê postando as conquistas, mas não conhece o caminho que leva até elas. É um caminho bonito, sem dúvida. Cada passo dado é uma alegria. Mas às vezes eu sinto falta de caminhar acompanhada.

Written by

Mãe do Bruno e da Daniela. Escritora | Revisora. Pós-graduada em História da Arte. Estudante de Filosofia. Escrevo sobre livros no Diário do Rio.✍🏽

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