Dia 13 de setembro foi meu aniversário e, neste ano de 2018, eu fiz 43 anos.

Minha mãe veio de Porto Alegre para passar o dia comigo e fez as panquecas de goiabada que eu gosto no café da manhã. Tive aula às 14h30 e, como não gosto de me atrasar, almocei na USP mesmo, sozinha e no “bandejão”, para economizar. Levei um bolo para uma comemoração simples com meus colegas da aula de alemão, às 18h. O professor estava avisado e aproveitou para nos ensinar a cantar o “Parabéns a você” em alemão.

No ano passado, o dia 13 de setembro caiu numa quarta-feira e eu estava naquele trabalho temporário há um mês. Estava dividida entre a felicidade de estar lá novamente, e o sofrimento com os ataques diários da gerente, que me/ nos humilhava, mentia, era agressiva e manipuladora.


Especialmente no dia do meu aniversário, 13 de setembro, estávamos em mais uma interminável discussão sobre quem era o responsável por determinada tarefa. É importante dizer que ela tinha um relacionamento muito ruim com seus pares e os colegas de outras áreas. Era uma pessoa muito nociva, que estragava o ambiente e destruía as relações.

E ela não fazia nenhuma questão de disfarçar esse comportamento, fazia tudo isso às claras e com a conivência da sua chefe e do diretor. Afinal, estávamos na reta final de um grande evento coordenado por ela e, preciso reconhecer, ela o fazia com muita competência. Deixava mortos e feridos no caminho, é verdade. Destruía a autoestima da equipe, colocava uns contra os outros, inventava fofocas, um verdadeiro caos. Mas, ao final, todos comemorávamos o resultado com espumante, foto na sala do presidente e elogios ao trabalho feito com “tanta colaboração e tanto amor”. (Era de embrulhar o estômago!).

Mas, especialmente naquele dia, o dia do meu aniversário, na interminável discussão, ela começou a se enfurecer e a me encurralar contra a parede — literalmente. Ela conseguia falar ininterruptamente, enganchando argumentações e raciocínios falaciosos até conseguir fazer com que a vítima se sentisse mal, culpada, errada, burra. Era horrível. E era comum. Isso acontecia praticamente todos os dias. Seus gestores viam e sabiam. E se omitiam, em nome das “entregas”, das “metas”, dos “números”.

Infelizmente, nesse dia 13 de setembro, talvez por ser meu aniversário, eu estava mais sensível e não consegui “aguentar o tranco”, como dizem. Conforme ela foi me encurralando, meu coração disparou, até que eu precisei correr para o banheiro e chorar. Chorei muito. Muito mesmo. Mais de 1h com certeza. Não conseguia parar. Era meu aniversário de 42 anos e eu estava sendo humilhada no meu trabalho.

Ela só apareceu para dizer que estava indo a uma reunião. Disse do lado de fora do banheiro mesmo. Não lembro, infelizmente, qual das minhas colegas passou na minha mesa, pegou a minha bolsa e as minhas coisas e levou até o banheiro. Eu tomei um Frontal ali mesmo, esperei fazer efeito e, quando me acalmei um pouco, saí com o rosto inchado de tanto chorar, fui de cabeça baixa até a porta de vidro, passei meu crachá para abrir, peguei um dos elevadores e saí para rua. Estava um dia bonito. Sempre chove no meu aniversário, mas aquele dia estava bonito. Em casa, reforcei a dose do Frontal. E dormi.


O fim já é conhecido de quem me conhece de forma mais próxima. As coisas só pioraram e a minha saúde também. Precisei tirar uma licença médica; motivo: depressão. Ao voltar da licença, às 9h da manhã de um dia útil qualquer, já me sentindo melhor e mais esperançosa, fui imediatamente demitida. Não tive nem a chance de me despedir dos colegas que eu gostava. Fui demitida e expulsa.

Eu jamais permitirei que façam isso comigo novamente. Não permitam também.

Feliz aniversário para mim.

#AssédioMoralÉCrime