[dia dez]

“dia dez
é que por você eu dirigia o meu automóvel de uma forma muito estapafúrdia
meus pais sempre discutiam comigo porque não chegava à hora de jantar
o garoto da loja de sorvetes piscava-me o olho quando eu chegava sozinha no balcão
ele já sabia que você dobraria a próxima esquina
por você eu ficava sempre brigando com os pássaros
queria assobiar muito mais alto do que eles
e isso não é nada esperto
quem briga com bicho, perde
por você eu também fui descobrir aquele projeto de mamífero emadeirado que ficava no ponto mais alto da aldeia
e por causa disso eu soube que a luz incide de uma forma muito maravilhosa no rosto de dona Manu
é que dona Manu ficava lá sentada comigo todas as tardes, do lado da estrutura
era eu, dona Manu e a baleia
todas as tardes de Verão em Lisboa
não sei se te disse, mas durante os nossos dias, fez sempre Verão em Lisboa
não sei se você reparou, mas sei que todos os marinheiros da vila ao lado repararam
lembra quando subimos no barco para comer churrasco?
acho que esse foi o fim de tarde mais lindo do mundo
como quase todos os todos os dias do mundo foram os mais maravilhoso com você
às vezes ainda acho que vivo num filme
que é tudo uma cinematografia um pouco estapafúrdia
um filme, um filme em que não disseste sim
um filme em que escolheste outro tipo de disparos
o filme em que julgaste que a minha velocidade era a coisa mais idiota da galáxia
sim, eu pegaria um avião só para te beijar no dia dos teus anos
sim, eu já te tinha dito
era capaz de atravessar a cidade em bicicleta, só para te ver dançar
e não se iluda, nunca mais se iluda
eu não sou herói, nada de campeonatos
nunca atravessei nenhuma das chuvas para te provar coisa alguma
tudo o que atravessei, toda aquela rapidez que te levava do claro ao escuro em 43 segundos
era só porque… desculpa
mas eu sempre achei que eras a pessoa mais bonita do mundo
sempre achei que a tua presença a meu lado era quase imerecível
não acho que sejas a Gisele Bündchen, não acho que sejas o Brad Pitt
não acho que sejas o menino Arthur Rimbaud
não acho que tu sejas o conta-km de um Austen Martin na estrada de Kathmandu.
acho que tu, és o teu nu (?)
teus olhos castanhos, teu cabelo claro, tua voz às vezes grave, às vezes doce
tua incrível mirada sobre o mundos dos negócios
e tua bendita sensibilidade para a natureza
una, espiritual, familiar de todas as coisas
desculpa gostar tanto de ti…
desculpa já nem sequer te inventar
eu sei que o teu rosto é o teu rosto
e isso ainda é muito equiparável à estabilidade de uma girafa, sobre os 30 pratos na fazenda
acho que foi por ti que Santo Anselmo cuspiu flores
tu, o teu nome, a alegria no mundo
acho que o teu amor, que nasce e morre
e nasce e morre e ressuscita e assim se alastra
é a maior de todas as bênçãos possíveis no peito de um anjo roxo
perdoa este excesso de paixão
talvez para ti seja meio difícil
mas eu prometi sempre dizer a verdade
toda a gente sabe quem tu és para mim
e você, e para você, os meus parabéns por 30 anos de Terra
pela parte que me toca,
obrigada pelos 20
do que foi, ainda é, uma aventura tremenda
…um abraço forte
(Matilde Campilho)
Como todo amor do mundo, à você Giordano ❤