Por que usamos camisetas do Chicago Bulls?

A aposentada camisa 23 de Michael Jordan

Em uma quinta-feira, na parte da noite, liguei a TV para assistir ao jogo do Bulls, afinal era dia do famoso “GAMEDAY”. Ao colocar no canal outro jogo da NBA estava sendo transmitido, rapidamente entrei no site da emissora para consultar a programação e era aquilo mesmo, não teria transmissão do time de Chicago. Enquanto procurava o jogo em alguma outra transmissão via Streaming ouvi o narrador da TV comentando que o jogo do Bulls não seria transmitido naquela noite para o Brasil, notei também que alguns telespectadores e internautas reclamaram em uma rede social e o comentário de um deles me chamou atenção:

– “Eles [emissora americana] agora só liberam pra cá [emissora brasileira] os jogos do Bulls quando é contra o Cavs ou Warriors…

Parei para pensar e reparei que fazia sentido, pois lembro de ver nesta temporada jogos do Bulls na TV apenas contra os times de Lebron James e Stephen Curry. A gente que trabalha com comunicação até entende as prioridades de uma emissora em relação às suas transmissões, tem a ver com contratos, acordos… É claro que Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors são as maiores audiências da NBA hoje e o Bulls já não tem a mesma força e números televisivos desde o fim da era comandada por Phill Jackson, mas com Dwyane Wade e Jimmy Butler protagonizando essa nova fase do time, seria muito mais interessante acompanhar os jogos pela TV com narração em português.

Não consegui assistir ao jogo daquela noite, mas não foi por conta disso que deixei de ver o Bulls jogar. A vontade de ver a regata vermelha em ação embalando minha madrugada falou mais alto e resolvi assistir as finais de 1998 e escolhi o 6º, decisivo e clássico jogo desta final.

A partir de agora discorrerei esse texto sem consultar dados, números e estatísticas deste jogo, apenas com minhas lembranças, pois por mais longínquas que sejam, ainda se fazem presente em minha memória. Tinha de 13 para 14 anos na época e assim como o Tênis, o Basquete marcou minha adolescência por ser também um esporte transmitido em TV aberta e por estar ainda embalado pela sensação do filme Space Jam. Os jogos da NBA passavam na TV Bandeirantes, narrados por Álvaro José, um dos maiores narradores e jornalistas esportivos do país.

Voltando ao jogo, lembro de uma imagem que tenho até hoje na mente: o momento que flagraram Michael Jordan transpirando excessivamente antes da partida começar contra a histórica equipe do Utah Jazz. Uns diziam que era ansiedade pelo fato de ser o último jogo dele pelo Bulls, outros acreditaram que era preocupação por sentir que havia algo errado com Scottie Pippen — espinha dorsal daquele time — que no meio da partida sentiu a coluna, teve que sair do jogo e ainda assim vendo a necessidade de sua presença voltou para a quadra. Jogar contra Karl Malone e John Stockton, estrelas do Jazz, talvez tenha sido uma de suas maiores dificuldades na NBA. Mesmo com Toni Kukoc, Ron Harper e Dennis Rodman ao seu lado, Michael sabia que qualquer coisa que desse de errado ali seria de total responsabilidade sua, e o detalhe: o jogo era em Salt Lake City, casa do adversário. Mas Jordan é Jordan e pressão nunca fez parte de seu jogo. Disputado ponto a ponto, abre dois de vantagem daqui, fica a um de desvantagem ali, assim seguia a épica final da NBA daquele ano. Faltando 20 segundos para acabar o jogo, o placar apontava 86 a 85 para o Jazz, com a posse de bola do time da casa, Jordan a rouba de Malone e parte para o ataque que poderia dar ou não o título ao Bulls. Para conseguir os dois pontos e vencer a partida ele poderia ter optado por duas ou três jogadas diferentes, como aproveitar a infiltração de Rodman e Luc Longley ou simplesmente passar para Steve Kerr (hoje treinador do Warriors) dar um tiro certeiro de três pontos, mas Michael sabia o que tinha que fazer, saiu tranquilamente da defesa para o ataque carregando a bola, esperando os segundos passarem para assim fazer a cesta do jogo, do título e de sua última vez vestindo a regata vermelha do time que conquistou multidões no mundo com aquela imagem que entrou para história, onde faz uma finta em Bryon Russell, o deixando no chão e chutando da entrada do garrafão para confirmar seu nome como o maior de todos os tempos.

Por conta dessas finais também adquiri um carinho especial pelo Jazz, o basquete foi o único esporte que fez eu ter dois times e alimentou meu sonho — ainda não realizado — de conhecer Utah ao invés de Nova York, e sim, depois do Jordan, Karl Malone é o maior jogador que vi em quadra.

Inevitavelmente o Chicago Bulls influenciou uma geração a partir dos anos 90 e que prospera até os dias de hoje com roupas, artigos e acessórios com o símbolo do time. Além da forte ligação do esporte com o Hip Hop, não é só por estilo que usamos camisetas do Bulls, é muito mais pelo sentimento vencedor que é natural do ser humano e foi automaticamente identificado com a história daquela equipe e a representatividade que Michael Jordan transpassou.

Originally published at www.rapnacionaldownload.com.br on March 14, 2017.

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