Dia15, sábado — Conhecemos uma mulher pelo seu riso.

Se na primeira vez que a encontramos ela ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.

Gosto muito de alterar Dostoiévski a meu bel prazer. Principalmente quando acredito no texto, o que nem sempre acontece, mesmo quando leio gênios.

Analiso risos desde que me entendo por gente, o que não é pouco tempo. Não é muito também. Entre um contido e uma gargalhada, prefiro esta. Descobri que riso contido é gozo contido. Risadas têm uma íntima ligação com a respiração, que é a irmã gêmea do êxtase. De qualquer tipo. Uma vez fui a um bar com a menina mais bonita do colégio e, entre uma bebida e outra, uma coisa começava a me incomodar: aquilo não eram risadas, mas uma metralhadora de soluços. Parecia a “respiração do cachorrinho” com som. Como era muito bonita, relevei. Mas não deixei de pensar que, na cama, aquele tipo de riso não a levaria a lugar algum, muito menos ao orgasmo. O que horas depois pude comprovar, na prática.

Não precisa explicar nada. Pode ficar hoje aqui, se quiser.

Andrietta, ops, Amanda, está aqui neste momento em que escrevo. Agora são 18h45 deste sábado. Ela chegou às 13h. Aparentemente linda como todo dia, logo percebi que sua respiração estava semi-ofegante. Um descompasso sutil, que só alguém como eu poderia perceber, não era tão evidente a ouvido nu. Agradeci à Deus por ser ela, sem avisar, de repente em casa. Quase não me pega por aqui.

Hoje de manhã fui à um brunch a convite de dois amigos. Desses que curtem badalações. Descobri o que significa café-da-manhã-ostentação. Não havia uma só mulher resistível naquele lugar. Eram decotes na frente, atrás, peitos, bundas, costas, bronzeados, perfumes, sorrisos brancos, jóias e tudo o que já inventaram para a pavonice das fêmeas entre 20 e 30 anos. O fato é que aquilo, por mais consciente que eu seja das minhas sinapses neurais, funciona. Quando Amanda chegou em casa, logo que voltei do brunch, eu estava com o que Freud chamaria de desejo reprimido.

Abri a porta, beijei-a, senti sua respiração, mas deixei pra lá. Ela, como sempre, não arregou. Tirou minha roupa e começamos ali mesmo, com a porta aberta. Fodemos de todas as formas possíveis por duas horas e meia, com pausas estratégicas. Achei ótimo, mas confesso uma boa dose de egoísmo. Não senti, saciei-me.

Você não está bem hoje, ou tô errado?

E ela desabou a chorar.

Disse que realmente não estava bem, mas que naquele momento chorava de alegria.