“For no one” ou “Quem é você pra dizer quem eu sou?”

Eles juram que eu não sou ninguém. Mas acho que ninguém são eles. Chegaram há pouco tempo, acham que sabem muito mais do que eu, que estou aqui há tempos. Relevância, irrelevância. Insisto em existir, não desisto. Enquanto isso eles, em suas salas com ar-condicionado, decidem o que será de mim. Este lugar onde estou tem grades por todos os lados. Só há uma saída, é pela frente. Significa que será uma saída digna, acho. Vou ficando. Dia após dia. Faço riscos na parede. Cada risco representa mais um dia. Ou menos um dia. Um olhar para o lado de fora. Pessoas livres caminham pela rua. Elas são livres, é verdade. É verdade? Bem, elas têm contas a pagar, têm a quem dar satisfações, têm a quem solicitar algo, de quem comprar algo. Eu não tenho. Não sou ninguém. É o que eles dizem. Eles sabem o que eu penso, mas não querem saber. Afinal, o que importa a opinião de alguém que é ninguém? Você pode achar que me refiro a uma prisão, mas não é. Tenho liberdade de sair quando quiser. Mas não tenho aonde ir, portanto fico aqui. Sendo ninguém. Sou ninguém até que decidam quem eu sou. Mas e eles? Sabem quem são?

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