A segurança da distância

Costumamos nos aproximar das coisas a uma certa distância. Há quem chame de “distância segura”.

Segura para quem? Por que essa distância?

Ainda pior é quando nos afastamos mais, tanto, que acabamos isolados num casulo. Falsamente protegidos lá dentro, quem nos ouve quando gritamos por socorro?

O mundo está lotado de informação, o produto mais caro e o mais barato que existe. Custa caro proteger nossas informações, ainda que nem sempre se justifique. Ao mesmo tempo falsas informações são facilmente espalhadas e disseminadas.

Imagino o que pode estar acontecendo se, nesse mesmo canal de comunicação, existe uma troca de informações com o potencial de destruir nosso planeta. Já li histórias de ficção científica suficientes para me deixar pelo menos um pouco paranoico. Um sábio disse: “apenas os paranoicos sobrevivem”. Talvez esteja aí minha chance de viver um pouco mais.

Essa enxurrada de informações a que estamos sujeitos, como vem numa forma ao mesmo tempo constante e agressiva, deixa nosso sistema interno de segurança em estado de alerta, tocando o alarme em alguns momentos.

Alguns preferem sair das grandes cidades e deixar uma longa distância entre si e o caos urbano. Outros apenas leem as manchetes dos jornais e se sentem informados de tudo, defendendo suas opiniões formadas com a ajuda dos jornais gratuitos distribuídos nos sinais de trânsito e no metrô.

Houve um tempo em que se comprava informação na banca de jornal. Quem não tinha dinheiro ficava à margem da sociedade. Com a popularização da web e dos dispositivos móveis conectados à rede, além da inclusão digital promovida pelo governo, a informação precisou ficar mais acessível, democrática e popular.

Claro que vejo vantagens numa população teoricamente mais informada, mas ao mesmo tempo são dados rasos, superficiais e até incompletos, nos casos mais extremos.

Quais resultados podem vir de uma sociedade que se acha dona de seus pensamentos e crenças, mas que é alimentada por informações incompletas?

Quando comecei a ver, há alguns anos, jornais gratuitos sendo distribuídos no Rio de Janeiro, tive a esperança de que finalmente fosse o começo de uma sociedade mais aberta a discussões, de pessoas mais informadas, com mais material para ler e analisar, e formar suas próprias opiniões.

Depois de alguns anos notei a superficialidade das notícias e a automatização das pessoas, ao olhar rapidamente as manchetes, e ir passando as folhas distraidamente.

Veja se morreu alguém, qual o placar do jogo de ontem, se tem alguma notícia bizarra, e só. Depois disso, o jornal vira lixo, após apenas alguns minutos de “leitura”. Já cheguei a ver edições inteiras jogadas no chão da estação do metrô. Tento imaginar o que se passa na cabeça de alguém para largar um jornal assim no chão.

Melhor eu me distanciar, só por segurança? Talvez essa distância faça mesmo sentido, e eu que ainda não consegui me adaptar ao sistema. Já tive vontade de me enfiar num casulo e não sair mais. Mas quando eu não aguentar mais e gritar por ajuda, quem vai me ouvir?