Passar frio em casa? Não, obrigado

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Em Portugal, estamos naquela altura do ano em que a conta da eletricidade dispara. O frio e o fraco isolamento térmico das casas portuguesas obrigam-nos a ligar o aquecedor e tirar mantas extras do armazenamento. Mas não tem de ser assim. É possível ter casas confortáveis do ponto de vista térmico, sem que isso signifique uma fatura energética astronómicas no fim do mês. Basta apostar na eficiência térmica. Contribui para faturas mais baixas e ainda estamos a contribuir para diminuir a nossa pega de carbono, o que são também boas notícias para o ambiente.

Passive house
O conceito não é novo, mas é relativamente desconhecido no nosso país. As casas construídas sob as normas passive house são muito eficientes do ponto de vista energético e chegam a consumir menos 75% de energia relativamente às habitações que cumprem todas as normas portuguesas modernas. Relativamente às habitações mais antigas, as passive house consomem menos 95% de energia.

Mas como é que se conseguem estes valores? Apostando no correto isolamento térmico da habitação, o que permite evitar perdas de calor no inverno ou ganhos de temperatura no verão. Assim, a casa mantém uma temperatura relativamente constante e confortável, sem que seja necessário gastar energia na sua climatização.

Se observar atentamente a sua casa, irá encontrar vários locais onde esta perda térmica acontece por falta de isolamento. Em casas da década de 90, por exemplo, é comum termos caixas de estores sem qualquer isolamento, por onde o frio do inverno entra facilmente. As janelas são outra grande fonte de perdas de calor, e nem o facto de ter vidro duplo o irá ajudar. Além de ser necessário um espaço adequado entre os painéis de vidro para que o ar aí aprisionado serva de isolante térmico, é também vital que a caixilharia seja isolada. Se assim não for, o frio ou o calor excessivos da rua entram facilmente em casa.

Isolar a casa é uma forma de viver confortavelmente, sem frio ou calor a mais. Mas é também necessário ter em conta a ventilação, para que o ar interior seja regenerado e para que não haja acumulações de poluentes ou de excesso de humidade. O conceito passive house também tem estes fatores em conta, e assegura uma boa qualidade do ar.

Menos energia, menos CO2
Ter uma casa eficiente do ponto de vista energético é bom para a carteira mas também para o meio ambiente. Em todo o mundo, as cidades ocupam cerca de 3% da terra mas consomem 75% dos recursos. Diminuir o consumo energético dos edifícios é fundamental para diminuir as emissões de CO2.

No Roteiro Para a Neutralidade Carbónica de 2050, Portugal prevê uma série de medidas para acabar com as emissões de CO2. Na minha opinião, o Governo deveria apostar seriamente na legislação que regula as novas construções, de modo a garantir edifícios que consumam tão pouca energia quanto possível. Mesmo que isso aumente um pouco o custo de aquisição, os benefícios deste tipo de habitação suplantam largamente as desvantagens. Imagine viver num apartamento ou numa casa onde não passa frio no inverno ou calor no verão, e onde as contas de energia devido à climatização são praticamente inexistentes.

Além da atualização da legislação para novas construções, julgo ser vital encontrar também uma forma de ajudar e incentivar quem já tem casa a isolá-la. Assim, o Governo estaria não só a melhorar a qualidade de vida a milhares de portugueses, mas também a dar um passo de gigante na diminuição das emissões de CO2 do país.