Queria falar sobre Moana

***** SPOILER ALERT******

Assisti ontem Moana: Um mar de aventuras, a animação da Disney (não se fala mais desenho animado né) que teve duas indicações ao Oscar. E, confesso, amei.

Num mundo totalmente conectado, Moana nos remete, novamente, à nossa ancestralidade e nos coloca em contato com o Divino. Nos leva de volta à natureza. Nos apresenta deuses elementais, nos lembra do culto à Água, Terra, Fogo e Ar.

O respeito aos animais também está lá. Moana tem um porquinho, Pua, e um galo, Heihei, que a acompanha na jornada.

Sim, Moana é um filme espiritual. Resgata a nossa crença no sagrado.

Moana é uma adolescente polinésia que se aventura pelo Oceano Pacífico e nos remete ao sentimento de comunidade, das soluções que vem de dentro do grupo social e do respeito às tradições.

Os conceitos estão todos ali. E talvez estejam em um desenho animado para que as crianças consigam enxergar o que os adultos já perderam.

Moana nos dá a jornada que todos um dia têm que passar.

Ele enfrenta o oceano, e vai atrás de um semideus narcisista, Maui. Novamente vemos homens caminhando com deuses. No caso de Moana, navegando.

Moana é levada a diversas provações na sua jornada, e o confronto com sua fé se da no encontro que tem com Te Fiti, uma deusa da ilha que criou toda a vida e se tornou uma ilha.

MitologicamenteTe Fiti é Gaia; Te Fiti é Nanã Burukê; TeFiti é Radharani, o lado feminino de Krishna, que em Moana é o deus de fogo, Te Ka, que lembra muito, mas muito mesmo, um Exu.

E Yemanjá também está lá. É o Mar que se conecta com Moana, que a protege, que lhe dá os elementos para sua formação.

Moana aprende a enfrentar a morte e nos ensina que a morte é uma passagem para outra vida. Me arrepiei na cena da passagem de sua avó, que desencarna do corpo humano e tem sua essência indo ao encontro do mar.

Moana não só fala com deuses e semideuses. Fala também com o espírito de sua avó, Gramma Tala.

Moana vai atrás do coração de Te Fiti. Sua jornada é em busca de um equilíbrio entre o Homem e a Natureza, mediado pelo Sagrado.

Por fim, Moana se encontra como indivíduo, como ser social, e se encontra com a sua espiritualidade.

Moana é muito mais que uma animação infantil. Vale a pena ver.

*Marcio Ferreira é jornalista e alimenta a sua criança interior fazendo coisas de criança.

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