Inclusão social e invisíveis da sociedade

Ontem participei de um evento lindo, o Cambia Festival, na Umapaz que fica no Ibirapuera e é um lugar inspirador. O evento foi o 1o. Encontro - Sociedade Transformando a Economia. Haveriam várias oficinas e, como sempre, fui fazer oficinas de origami. Veja a descrição do evento e algumas fotos/vídeos no Flickr.

“ O CAMBIA Festival é um espaço aberto de troca de conhecimentos e ideias para unir pessoas comprometidas com a Grande Virada.
Inúmeras inovações e soluções criativas para lidar com nossos problemas sociais e ambientais mais urgentes estão sendo realizadas por pessoas engajadas em todos os lugares do mundo. Essas iniciativas terão um papel fundamental para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) conforme acordado em 2015 pela ONU para a criação de um futuro mais próspero, seguro e sustentável para todos.”
Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/umapaz/formacao_em_educacao_ambiental/programacao_mensal/index.php?p=259104

Cheguei com minha família, às 10h da manhã e voltamos à noite em torno de 20h30. Passando em um cruzamento da Rua Bandeira Paulista com a Av. Juscelino Kubistchek duas meninas vieram oferecer doces e recusamos, porém parei o carro ao lado da Petz para ir conversar com a família. Além das meninas, haviam mais um bebê de 2 anos, um rapaz que estava fazendo malabarismo com bolas de tênis e uma senhora que deveria ser a mãe de todos. No carro, tinham algumas sacolas com roupas e calçados para doação que peguei para dar para esta família. Ela comentou que moram no Jardim Ângela e vinham vender doces para pagar o aluguel.

Ela pediu algo para comer, mas não tínhamos nada porque tudo que compramos foi para o almoço colaborativo do Cambia Festival. Como não gosto de dar dinheiro e notei que não havia padarias perto, fomos embora depois de receber o agradecimento da família. O rapaz estava feliz com os sapatos e a senhora agradecida porque disse que alguns calçados do meu filho mais novo serviriam para o filho dele.

Usei o Google Maps para localizar uma padaria e dei uma volta no quarteirão para ir comprar algo em uma padaria próxima, mas estava fechada e acabamos voltando para casa. Pensei em tirar uma foto da família, mas fiquei na dúvida se eles ficariam constrangidos. Voltei para casa pensativo, mas confesso que a imagem dessa família não saiu da minha cabeça e acordei de madrugada e decidi escrever. Percebi que não estava preocupado com eles, mas na verdade eu que estava constrangido de sair de um evento tão lindo e abundante, e me deparar com a essa realidade.

Lembro de um trecho da música “Tocando em Frente” do Almir Sater que faço uma interpretação pessoal no blog Autoconhecimento.net.br.

“Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei”
Interpretação:
“Quando deixamos de nadar contra a correnteza e tentar convencer a todos das nossas ‘certezas’, tudo flui com mais facilidade. Ter a humildade de ouvir os outros e aprender sempre é que nos faz fortes.”

Há alguns anos, venho em busca de compreender a transição que vivemos e esse episódio, que poderia ser como milhares de momentos nos quais simplesmente decidimos ignorar pessoas assim, foi diferente e me incomodou bastante. Nunca a frase do André François - um amigo e idealizador da ONG ImageMagica - fez tanto sentido.

“Perceber o mundo que se vive é o primeiro passo para modificá-lo”

O que me incomodou foi saber que vivemos um dia incrível e inspirador, mas essa família que estava bem perto da Umapaz não pôde participar.

“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” Provérbio africano

Fablab Livre SP | Tião Rocha

Como podemos aceitar como normais essas diferenças? Eu poderia falar sobre cultura que nos faz acreditar no “certo e errado”, distrações com a televisão ou rotular essa mãe como “exploradora de menores”, mas sinto a necessidade de escrever de outra forma e espero que gostem.

Invisíveis da sociedade

Quem são as pessoas invisíveis da sociedade?
Meninos e meninas nos semáforos?
Pedintes e vendedores do metrô?
Músicos e artistas de rua?
Por que não enxergamos?
Como enxergar se estamos tão conectados?
Buscando ser melhores do que somos no mundo online
Presos ao passado lembrando de fatos que não podemos mudar
Ansiosos com o futuro que ainda não chegou
Preocupados com problemas que nunca vão acontecer
Desaprendemos a ser uma comunidade
Aprendemos a valorizar os iguais 
E a desvalorizar o DIFERENTE
Deixamos de pensar como NÓS e pensamos apenas no EU
Damos mais importância ao TER do que ao SER
Quando aprendemos que tem dinheiro é melhor?
O mundo é competição e escassez?
Como a lagarta que se transforma na borboleta
Nosso mundo vive uma transição para colaboração e abundância
Quer você queira ou não, a mudança está acontecendo
Estar presente é a única maneira de enxergarmos 
O presente é o único lugar onde o futuro é construído
O melhor PRESENTE é estar no AQUI E AGORA
Cada pessoa que encontramos pode mudar a nossa vida
Ou você pode mudar a vida dela
Ou simplesmente ser apenas uma GENTILEZA
Como dizia o Profeta Gentileza… Gentileza gera gentileza