O que o plano de sócios do meu glorioso time do coração tem em comum com o limite de franquia de dados da internet ou Uber? Spoiler: Tudo! Antes de pensar que este é um tópico frasal (vai na Wikipedia, vai…) com o único intuito de fisgar leitores incautos para o meu tema, saiba que sim, é mesmo para chamar a sua atenção para um problema que diz muito sobre como algumas instituições ainda não sabem lidar com os tempos modernos. Explico…

Todo clube precisa de uma base sólida de sócios, e times como o meu querido E. C. Vitória (o primeiro que falar ‘da Bahia’ leva um pescotapa) que possui uma receita muito aquém dos grandes clubes precisam ainda mais. Como então comover os torcedores a se associarem ao clube? Motivando, criando empatia? Não é bem assim, vejam:

Façam as contas comigo, pagar 50 contos no mês para pode ver todos os jogos do clube não é uma baita vantagem? Claro, não precisa ser um gênio para calcular isso, mas será que cobrar 40 Dilmas (desculpe, chamar dinheiro de Temers tá complicado ainda) para jogar com o brioso Náutico de Roraima as 21:45 da noite (sem metrô!) e mais 80 Dilmas, OITENTA, para jogar a final do baiano com o time de Lauro de Freitas vai atrair mais torcedores ou colocá-los para longe dos estádios?

O pensamento da diretoria do Vitória é o mesmo que impera no Brasil. Ao invés de fazer o público se interessar em associar pelas vantagens, eles obstruem as outras opções botando preços impraticáveis para que a única saída para o torcedor seja se associar.

A mesma coisa com o Uber ou o infâme limite de franquia de dados da internet fixa que estão querendo nos empurrar goela abaixo. Vamos melhorar nossos serviços? Não, vamos deixar as outras opções inviáveis para que eles só tenham uma saída. Nem todo mundo tem interesse ou disponibilidade de ir a todos os jogos, e ir a um jogo o ingresso é apenas um dos custos de vários outros. Não vou nem entrar no mérito de conforto ou acesso que, em nossa casa, o Manoel Barradas (carinhosamente conhecido como Barradão), carece de mais atenção.

Barradão em chamas

Qual o resultado disso? O oposto do esperado: As pessoas começam a perceber que assistir aos jogos em casa é mais cômodo e barato. Não tardará muito e vão, mais uma vez, culpar a torcida pelo não comparecimento em peso no estádio e o baixo número de associados. A forma como as pessoas aqui nesse país querem que as coisas aconteçam chega a ser cômica de tão errada.

Querem forçar as pessoas a se associarem quando eles teriam que, na verdade, fazer com que as pessoas QUEIRAM se associar. Dessa forma tudo o que conseguem é afastar ainda mais a torcida.

Não precisa ser um gênio para ver que isso não funciona e nem nunca funcionou. Essa “estratégia” vem se repetindo ao longo dos últimos anos e o que tem aumentando mesmo é a torcida dos sofanáticos.

Vamos comparar a internet da ‘Olá’ com a da ‘REDE’ e daí a gente vê que a da MORTO é a melhor opção, mesmo se rolar limite de franquia. É isso que os dirigentes e ‘marketeiros’ do clube estão nos dizendo com essa “campanha”. Melhorar acesso, conforto, melhorar as condições de descontos nos produtos oficiais do clube, trazer a torcida pro estádio e não afastar como estão fazendo, é muita coisa que deveria ser feita ao contrário disto.

A gente tem que trabalhar a empatia e não afastar a torcida do estádio.

Enche a nossa casa com uma promoção no valor dos ingressos e promove várias coisas no estádio pra fazer o torcedor ficar com vontade de ir em mais jogos. Ir a um estádio de futebol é algo espetacular, passei mais da metade da minha vida (até aqui) fazendo isso.

Não, que é isso bobinho. Vamos deixar 120 reais as duas partidas e ninguém vem. Ficar contando apenas com os 2 ou 3 mil fanáticos que sempre estão lá não é saída para um clube que quer se manter na série A e precisa de receita e um número de sócios de, pelo menos, 30 mil.

Estádio vazio, futebol sem alma.

Enquanto a mentalidade dos dirigentes, diretores, presidentes for RESTRINGIR, tornar todas as opções inviáveis a ponto da pessoa só ter uma opção — usar menos internet, deixar de ver a Netflix e Youtube para assinar Tv a cabo e planos de telefonia (quem usa ligação ainda hoje com frequência?), não usar um serviço de transporte mais barato e onde você seja bem atendido e, aqui no caso desse desabafo, não ter a opção de ir ao estádio sem ser assaltado no bolso — vai continuar complicado se fazer futebol nesse país.

Não é um problema exclusivo do futuro Campeão da Série A de 2016 (vamos trilhar o mesmo caminho do Leicester na Inglaterra), muito menos que acontece apenas no futebol, é algo que ainda está enraizado em nossa cultura e que precisa avançar e ser renovado.

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