Eliot Sumner ‘Information’

Um ano e meio se passou até que finalmente pudéssemos ouvir o que Eliot Sumner estava a preparar. Após o primeiro contacto que tivemos com “Information”, o single de lançamento da sua carreira em nome próprio (anteriormente I Blame Coco), foi difícil aguentar a espera tortuosa a que fomos sujeitos.

Não é que I Blame Coco tenha surtido algum impacto musical para que futuros trabalhos despertassem muito interesse, mas “Information” apresentava-nos uma nova artista, mais madura e a aventurar-se por campos maioritariamente explorados por bandas como Editors, Interpol ou White Lies. Mas o género de quem faz música, ou seja do que for, provavelmente não é algo que lhe interesse, já que Eliot não se identifica com nenhum deles.

Mas além do tipo de música que foge à onda mais electrónica que o seu projecto anterior apresentava, a sua voz mais grave e assuntos que aborda, fazem com que o seu primeiro single depressa chame a atenção até dos menos atentos.

Foram precisos mais 9 meses até que Eliot voltasse a apresentar mais uma música, desta vez com “Dead Arms & Dead Legs”. Começa a surgir uma nova identidade, bem definida e com uma sonoridade assombrosa. Num tom mais pesado e menos ritmado que a anterior, é com especial agrado que me começo a afeiçoar ao seu estilo. Sabe exactamente que notas tocar para me tocar, passo a redundância.

Nos meses que se seguiram, “After Dark”, “Firewood”, “Species” e “I Followed You Home” foram lançados e, como seria de esperar, continuaram a seguir o caminho que havia sido começado com “Information”.

Vários podem ser o assuntos que Eliot Sumner aborda, desde a nossa própria existência neste mundo e o que fazemos com o tempo que nos é dado, numa procura constante por aceitação daqueles que queremos que nos amem mas que nem sempre é recíproco ou até da própria etiquetagem de identidade e de toda uma conversa poder girar à volta desse assunto. Este último é sem dúvida um assunto que em muito lhe diz e que tão habilmente ela representa em “Species”.

Mas é importante relatar todo o seu percurso antes de lançar o seu disco porque Eliot foi inteligente na selecção musical que decidiu apresentar ao público. Criou uma identidade própria e que conseguíamos identificar. Era homogénea e fazia sentido, tanto a nível instrumental como a composição. Onde pecou foi no momento em que lançou o disco, também intitulado de Information.

Não que seja mau, porque se virmos bem as coisas, foram lançadas cinco músicas, que estão num disco com o dobro. Mas todas as outras entradas são um pouco confusas, indo desde um rock mais típico até um estilo electrónico sem grandes valores de produção. “What Good Could Ever Come Out of This” e “Come Friday” são duas das que se escapam, por pouco, e ainda assim a última foge um pouco ao que Sumner perpetuou durante um ano prévio ao lançamento do disco.

O curioso é que este disco é composto por músicas que jogam na mesma equipa daquelas com que Sting teve de ter em atenção durante os anos 80 e que na última década têm vindo a ganhar mais e mais seguidores. E apenas o menciono por Eliot Sumner ser filha deste artista, e é curioso que ela vá buscar inspiração à época do pai mas não propriamente a ele, mas toda e qualquer comparação que possa existir termina e acaba aqui, principalmente porque Sumner é bem mais do que filha do Sting. No meio da imensidão do seu talento, isto não é mais que um mero elemento de trivia.

E este começo promissor, poderia ter sido bem mais do que ameno não fosse metade do disco ser algo oposto ao que Eliot nos veio a habituar, mas é sem dúvida uma excelente entrada para uma nova investida no mundo da música, desta vez sem máscaras e heterónimos, em nome próprio.


(Escrito originalmente a 27 de Janeiro de 2016)

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