Oscars 2017, chega para todos!

Se vamos falar dos Oscars temos de falar do pior erro que a edição deste ano cometeu: Jimmy Kimmel!

Claro que eu já esperava que da apresentação pouco ou nenhum interesse fosse existir e assim que ele decidiu abordar este trabalho como se fosse mais um episódio do seu talk show, estava tudo arruinado. Bem, nem tudo!

Confesso que existiram uns momentos que me fizeram deixar escapar uma risada ou outra, mas já lá vamos.

A abertura não foi o melhor indício da noite que se avizinhava. Qual foi o verdadeiro propósito daquilo? O Jimmy estava assim tão ocupado a reciclar piadas de outros apresentadores que não teve tempo para fazer um número decente de abertura? Porque já todos vimos comida ser entregue nos Oscars, pizza entregue em directo tem bem mais interesse do que gomas e bolachas! Também já não é a primeira vez que temos de aturar a troca de “ataques” entre ele e o Matt Damon. Já percebemos que ele não consegue mais do que aquilo, mas são os Oscars, poderia ter-se esforçado minimamente para fazer algo novo e entusiasmante. E um homem fazer uma piada sobre mulheres terem de emagrecer para conquistarem um papel em Hollywood? Onde é que já ouvimos isto? Ah sim, nos Golden Globes, directamente da boca de Tina Fey e Amy Poehler. E tal como no seu programa, continua a ter a sorte de perfeitos desconhecidos continuarem a dizer barbaridades através do Twitter. Mas não foi ele que os escreveu nem foi ele que os interpretou, portanto nem teve esforço algum para ter direito a mais um momento para encher chouriços!

Contudo, e tal como já havia dito, ele lá me conseguiu fazer rir quando relembrou ao mundo o quanto sobrevalorizada é a Meryl Streep e quando conseguiu com que a voz do além que anuncia a chegada dos convidados apresentasse Matt Damon como um mísero adereço de Ben Affleck. Também gostei especialmente do tweet que ele enviou a Trump durante a cerimónia, foi simples mas eficaz. Curiosamente, ele foi das poucas figuras em cima do palco que assumiu uma posição mais política, ainda que também pouco vincada, e penso que tenha faltado mais disso.

Não que os Oscars devam ser políticos, mas quando não conseguem ser nada mais, talvez estejam a perder uma oportunidade de tornar marcante a noite mais memorável do ano para Hollywood, para o cinema!

A passadeira vermelha pouco brilho teve, e qualquer decote mais arrojado ou um brilho inesperado já era motivo de euforia porque foi tudo pautado por uma apatia geral. Ou parecia que não queriam estar ali, ou estavam desanimados com a actual conjectura política em que vivem, ou estavam apenas com fome. Não sei qual a razão mas este prelúdio costuma ser dos pontos altos da noite e este ano foi praticamente ignorado, cinco minutos depois já ninguém se lembrava que tinha existido.

Claro que a transmissão nacional do programa não sofre do mesmo mal que a passadeira vermelha, é impossível alguém se esquecer daquelas duas aves raras que estavam no estúdio da SIC Caras a comentar tudo durante os intervalos. Escolhi este canal por não existir qualquer ruído de fundo durante a cerimónia mas ter de ouvir o Rui Pedro Tendinha falar incessantemente de uma suposta perda do La La Land e que a Viola Davis ganhar era um facto, estava genuinamente a esgotar-me a paciência. Mas a ele ainda dou um desconto, porque já ninguém conseguia aturar a Maria Botelho Moniz constantemente vidrada nas redes sociais. É o trabalho dela, tudo certo, mas também é o trabalho dela falar de cinema numa cerimónia dedicada ao cinema quando tem ao lado dela alguém ligado ao… adivinharam, cinema!

E ainda que o Tendinha bem tenha tentado passar a ideia de que o La La Land perdeu, seja lá o que for que ele ache que tenham perdido, acabaram por ganhar seis Oscars, sendo o grande vencedor da noite, por menos no maior número de prémios arrecadados na cerimónia. O que me leva ao que realmente interessa, os prémios.

A ideia com que costumo ficar das cerimónias que já assisti há já quase 20 anos é que um filme acaba por sair sempre mais favorecido do que todos os outros e nesta edição isso não se verificou de forma tão descarada. E acho que isso também se traduz numa cerimónia mais interessante para o espectador e para os próprios nomeados. Na verdade, ninguém saiu a perder, todos saíram a ganhar, até o Suicide Squad vai poder ter na capa a menção que ganhou um Oscar!

Como dá para perceber, existiu espaço para surpresas, esta foi uma delas e Zootopia ter ganho para melhor animação foi outra. Hacksaw Ridge também ganhou para melhor edição e é certo dizer que um outro filme foi claramente roubado, mas mais uma vez, todos ficaram felizes porque todos tiveram prémios.

Claro que poucos se vão lembrar disso porque alguém fez asneira no prémio pelo qual todos esperam, o de melhor filme, onde uma troca de envelopes colocou na mão de dois actores aleatórios um prémio já atribuído anteriormente. Ok, nem a Bonnie nem o Clyde tiveram culpa no cartório, só fiquei espantado pela aleatoriedade da escolha destas duas figuras para entregar o prémio de melhor filme. E mais espantado fiquei ao ver um senhor de auriculares no palco a retirar tudo o que era envelopes para confirmar o que se estava a passar.

Mas por favor, não há aqui teoria alguma. Os envelopes são às dezenas e além disso deve existir mais que uma cópia, não vá alguém deixar cair um café em cima ou alguém rasgar algo que não deva. Culpem o Trump, faz mais sentido do que pensarem que houve ali alguma jogada nos bastidores.

Querem algo com que se preocuparem? Preocupem-se em arranjar bons apresentadores que façam desta noite algo memorável, pelas melhores razões, e para o ano podem voltar a contar comigo! E talvez confirmem os envelopes duas vezes e arranjem alguém que ensine a Nicole Kidman a bater palmas…