Simplesmente Star Wars

Por razões desconhecidas, que já nem com intensa terapia vou conseguir relembrar, decidi que seria uma boa ideia ir ver o segundo e terceiro capítulos da saga Star Wars ao cinema. Não, não vi o primeiro no cinema e não, nunca prestei atenção o suficiente aos restantes episódios para sequer ter visto mais do que um par de minutos. Portanto, o meu conhecimento da saga resumia-se a saber o nome das personagens e a uma pequena frase que há quase 40 anos que anda nas bocas de todos os cinéfilos. “Luke, I’m your father!”, que curiosamente nem é exactamente a frase que ele diz, o que me deixou algo chateado!

Como seria de esperar, o fascínio por esta saga ultrapassava-me ligeiramente, coisa que não passou (bem pelo contrário) com a visualização dos três primeiros episódios. Não seria o Jar Jar Binks que me ia conquistar o coração. Só agora com a estreia iminente do episódio VII, The Force Awakens, é que decidi ser o momento certo para me atirar de cabeça a tudo o que esta viagem intergaláctica me tinha para oferecer.

Optei por visualizar os seis filmes por ordem numérica, não pela ordem de lançamento nas salas de cinema. Isto talvez por ter uma ideia mais clara do que esperar dos filmes mais recentes e por saber que eventualmente os três últimos episódios (IV, V, VI) seriam bem melhores que os três primeiros (I, II, III). Com esta perspicácia, devia estar a jogar no Euromilhões!

Para despachar já o óbvio, os três primeiros episódios viam-se graças ao C-3PO e ao R2-D2. Eles são provavelmente a única coisa que faz sentido em todo aquele melodrama de segunda. O Jardins Proibidos na TVI fizeram mais sentido do que estes três filmes. Nem os efeitos especiais (do Star Wars, não do Jardins Proibidos) se aproveitavam! Os filmes mais antigos, envelheceram melhor. Talvez esteja a exagerar um pouco, mas se retirarmos as personagens acima mencionadas e Darth Maul (que tinha muito mais para dar), não há qualquer conteúdo memorável, excepto os momentos finais do episódio III onde finalmente deixamos de ver as trombas do Hayden Christensen!

Agora que já tirei isso do caminho, e mantendo o óbvio como parte fundamental desta minha superficial análise do que é o Star Wars, e daquilo que foi a minha experiência com a mesma, posso dizer que finalmente me caiu a ficha relativamente à dedicação e paixão que existe para com esta saga. Desde o episódio IV até ao VI, todos eles foram fundamentais não só para a indústria como também fizeram de Star Wars aquilo que ele realmente é! Uma série com alma e conteúdo, com drama, acção, ficção-científica e humor nas doses certas que cativam num piscar de olhos.

Mesmo que certas coisas sejam ligeiramente corriqueiras, têm o seu encanto porque já estamos de tal forma afeiçoados às personagens e toda a trama que é impossível não nos deixarmos levar. Ainda que o A New Hope me tenha por vezes causado alguma estranheza, o The Empire Strikes Back deixou-me genuinamente entusiasmado. No que diz respeito a níveis de produção, estamos perante um filme que, a meu ver, teve um salto gigantesco em relação ao seu antecessor, o que não só resultou numa obra visualmente mais estimulante e viva como tudo é mais encorpado, com mais substância.

Esta trilogia representa bem aquela sensação tão típica daquela época, onde filmes como Back to the Future, Ghostbusters, Alien, entre outros, nos enchiam as medidas por conseguirem tão facilmente nos fazer envolver num ambiente único. Não que hoje em dia não consigam, mas é um estímulo diferente, em muito posto em causa pela geração fast food que consome depressa demais o que lhes é dado, o que acaba por ter também um efeito nefasto em que produz cinema, que tem a árdua tarefa de usar tudo o que pode para captar a atenção do público.

Mas usando a força (de vontade!) para me voltar a focar, dei por mim ansioso por ver o sexto, e último, episódio da saga, Return of the Jedi. Para surpresa de ninguém, fiquei igualmente satisfeito com aquilo que vi. Agora com as ideias arrumadas relativamente a todo o percurso de Luke Skywalker, Leia e Han Solo (desculpem, mas detesto o Chewbacca), assim como Darth Vader, que já não faziam apenas parte de algo que se podia imprimir numa tshirt ou num tapete de rato, ansiava por o desfecho a que tive direito. Um desfecho que só veio ser perturbado pelo lançamento de uma nova trilogia que nos vai ocupar a vista durante os próximos quatro anos.

Que a força esteja com todos nós e que a história não se repita…


(Escrito originalmente a 15 de Dezembro de 2015)

Like what you read? Give Marco Almeida a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.