Spice Girls

Esta semana Deus desceu à Terra e deve ter iluminado o caminho de Victoria Beckham, ou por menos alguém foi iluminado porque começaram a surgir rumores de que ela poderia aceitar fazer parte da reunião de 20 anos das Spice Girls!

Claro que se fala de colocar algumas condições, porque ela é a Victoria Beckham e como tal, caso volte a acontecer um milagre delas passarem por Portugal, este elemento ficará por terras de sua majestade, já que a sua participação será limitada a um par de concertos.

Mas esta notícia, que já se especula não ser mais do que meras divagações, foi o suficiente para que o petiz de 8 anos que há em mim voltasse ao de cima e depressa fui relembrar todos os momentos musicais que tanto gostava de ouvir até à exaustão. Na altura, mesmo sem o nível de comunicação que existe nos dias de hoje, era possível perceber o impacto que esta girls band estava a ter pelo Mundo fora. Era raro não ouvir quem falasse delas e desde cadernetas a álbum de fotografias, havia de tudo… E tudo eu tive!

Não tenho já memória de como me chegou às mãos o primeiro disco delas, lançado já no longínquo 1996, mas sei que só não se gastou do uso por puro milagre. A própria capa do disco representava bem aquilo que elas eram. Cada uma delas um elemento essencial naquilo que era um todo que agradava a gregos e troianos. Uma era mais desportiva, outra era supostamente assustadora (porquê?), uma era algo infantil, outra era ruiva e parecia que sabia o que fazer exactamente para se divertir e havia aquela que tinha a mania… Não que esta última tenha mudado muito…

Seja como for, todas elas tinham o seu interesse. Eu gostava e gosto de todas elas e apesar de cada uma ter a sua personalidade e identidade (obviamente desenhada para conquistarem o maior número de pessoas possível) conseguiam fazer-nos acreditar que eram amigas e que desde o momento em que acordavam até voltarem a adormecer, estavam numa constante roda viva à procura de diversão.

Por menos, é isso que o primeiro disco transmite. Com sucessos como “Wannabe”, “Say You’ll Be There” e “Who Do You Think You Are” elas davam vida ao Girl Power que serviu como força motriz de tudo o que faziam. Elas só precisavam de estar juntas para se divertir e ninguém se metia com elas. Se estas músicas começam a dar, não há quem me segure! Curiosamente, e ao contrário do que seria de esperar, as músicas que mais facilmente ficaram comigo não foram estes três nomes.

Uma delas foi “2 Become 1”, era simples, muito bem produzida e com uma mensagem universal. Actualmente acredito que se elas ainda estivessem juntas, este seria o caminho a seguir. Outra que me ficou marcada foi a “Mama”. Mais uma vez, simplicidade e ser uma mensagem que todos reconhecem foi a chave para me conquistarem.

Sem tempo para descansarem à sombra do enorme sucesso que conquistaram do dia para a noite, lançam um novo disco, Spiceworld, apenas um ano depois do primeiro disco homónimo ter sido lançado. Com “Spice Up Your Life”, o primeiro single deste novo trabalho, voltam a conquistar o primeiro lugar nas tabelas, o quinto consecutivo. Esta é uma das minhas favoritas delas, a par de “Stop” (que foi o único single a não chegar a primeiro lugar), mas mais uma vez, são outras músicas que ainda hoje perduram na minha memória como dos momentos mais marcantes da curta, mas intensa, carreira do grupo.

Em “Too Much” o assunto volta a focar-se nos mesmos pontos que as outras duas músicas mais calmas do primeiro disco e é algo que todos nós nos conseguimos relacionar e o mesmo acontece com “Viva Forever”, porém, este single está envolto num misto de ternura e melancolia que ainda hoje me assombra.

Desde a música até ao vídeo, tudo é perfeito, nada tenho a apontar! Atinge todos os pontos necessários para ficar arrumado a um canto num instante. Mas já naquela altura, sentia que esta foi a verdadeira música de despedida de Spice Girls. Não que fosse preciso esperar até elas lançarem a música como single, que veio agregado à saída de Geri Halliwell, para perceber isso. Assim que ouvi a música deu para sentir algo que me deixou inseguro relativamente ao futuro deste quinteto maravilha.

E foi exactamente o que aconteceu, com a saída da “ruiva” elas perderam o encanto que outrora tiveram.

Não havia cromo que conseguisse suportar a falta de um dos elementos. Nenhuma fotografia ia repor um passado que já não voltava. Por mais vezes que revisse o filme delas, nada ia ser como antes. A única solução seria esperar para ver o que aí vinha, e o que aí veio, exceptuando a “Holler”, que era muito boa, e talvez “Goodbye”, o disco Forever, lançado em 2000, não teve o efeito que esperava, bem pelo contrário. E serem apenas quatro era algo triste de se ver.

Mas antes disso, não ficámos a ganhar raízes! Em 1999, Geri Halliwell (traidora!) e Melanie C lançaram o seu primeiro trabalho a solo. Ainda que Melanie C seja das que mais sucesso conseguiu a solo, foi a Geri que primeiro me agarrou com “Mi Chico Latino” (estás perdoada!) e mais tarde, no seu segundo disco, com o cover de “It’s Raining Man”. Entretanto, também Emma Bunton conseguiu dar o ar da sua graça com “What Took You So Long” e que se for preciso eu canto até me faltar o ar. E é sempre preciso!

Victoria Beckham e Mel B também se aventuram sozinhas no mundo da música mas sem grande impacto, principalmente a primeira. Pelo caminho, a Melanie C também vai continuando a tentar a sua sorte e em 2011 apanha-me desprevenido e fico completamente viciado em “Think About It”.

Apesar de nenhuma delas ser um caso de sucesso a solo, conseguiram manter-se no activo. Geri lançará este ano o seu quarto álbum, Mel B tem estado activa em programas televisivos e Melanie C vai continuando a lançar discos, que passam algo despercebidos e ainda bem. Emma Bunton vai fazendo aparições um pouco por todo o lado e Victoria está dedicada à moda.

E ainda que o futuro não lhes traga muito mais do que aquilo que já têm, por menos o passado glorioso que abriu caminho a tantas outras girls bands, ninguém lhes tira!


(Escrito originalmente a 14 de Janeiro de 2016)

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