Parque de diversões

“Não é que eu tenha medo. Eu só sinto muito enjôo depois” expliquei mais cedo.

Mas desta vez tinha tomado um Dramin antes de ir ao parque de diversões e me sentia disposto a encarar todos os brinquedos radicais. A adrenalina afastava o sono, e eu pensava, enquanto a força centrípeta tentava me jogar na casa do caralho, que era mesmo muito divertido ir ao parque e não se sentir enjoado, mesmo comendo a pipoca doce.

“Agora o Kamikaze! Vamos no Kamikaze”. Minha namorada inconsequente ia veloz tomando a fila do brinquedo mais bem batizado da história. Eu acompanhava, com passos de formiga, avaliando as condições do maquinário com rigor inversamente proporcional à minha competência para a tarefa.

A moça da frente abandonou os amigos na fila, foi fazer qualquer coisa mais inteligente. Mas nós ficamos lá, olhando as pessoas lá em cima, suspensas de ponta-cabeça, antes de descer com velocidade suficiente para bagunçar nossos cabelos. A máquina parava assim por um segundo, e enquanto permanecia parada, dezenas de moedas e chaves caíam no piso de metal, tilintando contrapontos para os gritos de terror. Ela sorri.

Entramos numa gaiola gigante e descemos a proteção de metal. Ela sorri e eu aceito o destino. Ali já não ligo mais para a morte. Penso ouvir as Walkirias. Ou estou doidão de Dramin. Antes que eu descubra, estou de cabeça pra baixo e minhas moedas caem do bolso. Todo mundo grita mas eu fico mudo. As pessoas lá embaixo parecem formigas. Ela gargalha.

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