
O que esperar do Uber?
Um dos assuntos mais discutidos recentemente é a chegada do aplicativo Uber ao Brasil. Uma reflexão provocativa sobre o serviço enfileirou argumentos como: “O Uber não é uma tecnologia per se”, “O Uber não é uma inovação tecnológica”, “O Uber não resolve problemas de deslocamento” e apresentava como principal crítica o fato de que a plataforma não faz parte da chamada “economia colaborativa”, como argumentam alguns. Os fundadores do Uber, como era de se esperar, defendem que o serviço “tira carros da rua e aumenta qualidade de vida”, mas afinal o que é esse serviço e o que devemos esperar dele?
O Uber é uma plataforma com o objetivo de “conectar passageiros e motoristas diretamente através de nossos aplicativos”. Do lado dos motoristas, existem exigências sobre o modelo do carro, cor e ano de fabricação, enquanto do lado dos passageiros o preço pago (dentro do app) costuma ser superior ao valor que seria pago por uma corrida de táxi pelo mesmo trajeto (e pode aumentar de acordo com a demanda). Caso você esteja se perguntando aonde entra a colaboração nessa história a resposta é bem simples: lugar nenhum!
O grande problema de se criticar o Uber por isso é que estaríamos avaliando esse serviço por algo que ele não se propõe a ser. Na minha opinião o debate sobre a chegada do Uber no Brasil não deveria estar fundamentado no seu grau de “colaboratividade” e sim na sua capacidade de oferecer um serviço eficiente de transporte nos nossos centros urbanos tão carentes mobilidade.
Outras plataformas como o Air BnB, MonkeyParking e o recente JetSmarter oferecem serviços com a mesma lógica de otimização de recursos de terceiros. Não se trata de economia colaborativa e sim de casar de forma eficiente recursos disponíveis com sua demanda respectiva. Quem ganha, em cada um dos casos, é o consumidor que tem alternativas mais baratas e/ou com maior qualidade para um determinado serviço.
A forte reação gerada pelo Uber nos países em que ele começa a operar parece estar ligada a 2 motivos: o primeiro é que o serviço não espera a ação de órgãos reguladores para começar a atuar e o segundo é a presença de concorrência e de um padrão de qualidade em um setor historicamente cartelizado. Já existem evidências indicando inclusive que a presença do aplicativo elevou a qualidade do serviço prestado por táxis em algumas cidades.
Acredito que a proibição foi uma reação exagerada e que interessa a pouquíssimos. Assim como me parece exagerado (para dizer o mínimo) dizer que o Uber não resolve problemas de deslocamento e que o mesmo não se trata de uma inovação tecnológica. É bem verdade que o aplicativo não resolve todos os problemas de deslocamento (nem perto disso), mas sejamos honestos, quem estava esperando que ele resolvesse?
Não podemos esquecer que a grande contribuição deste serviço até aqui é que ele parece ter conseguido oferecer um serviço com qualidade superior ao que é oferecido pelos táxis e isso tem atraído consumidores em todo o mundo. O objetivo do Uber nunca foi oferecer um serviço colaborativo de transporte e sim um bom serviço de transporte.