Mensagem pra você.

Os bem jovens e até alguns mais maduros não têm ideia das angústias e delícias de esperar e de receber uma carta. Não dessas que chegam a todo momento na caixa dos correios e que o porteiro do prédio nos entrega com ar lastimoso, porque ele sabe: chegou mais conta pra pagar. Já vai bem longe o tempo das missivas, era assim que se chamavam, escritas a punho, desenhadas com a melhor caligrafia ou com um jeito charmoso que cada um desenvolvia para impressionar o seu destinatário. Obras-primas de conteúdo pensado e repensado, lido e relido, lavrado cuidadosamente para dar precisão ao sentido; e quando às pressas vinham com pedidos de desculpas, como escreveu Voltaire, “Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão longa. Não tive tempo de fazê-la curta”.

E os papéis-carta?! Preciosidades em cores, emoldurados, timbrados, com slogans que volta e meia eram pistas das segundas intenções que se estava por descobrir no texto. Mas o grande barato era ver chegando o funcionário dos Correios, despistar, fazer de conta que não estava nem aí com aquilo e depois, com o coração na mão, devorar as palavras — mas mantendo a postura de tudo bem! é só uma carta. Podia ser coisa boa, podia ser o que não se queria saber, porém a alegoria de sentir vibrar nas mãos as próprias mãos de quem escrevera, ah! isso era indescritível.

As cartas de amor, as especiais, perfumadas, ilustradas, em papel com marca d’água, com dobraduras criativas, causavam um encantamento de tremer o corpo todo. Cartas de amor eram poemas, davam livros inteiros, músicas, mexiam com qualquer um! Cartas de amores urbanos, amores do campo, amores à beira-mar — daqueles que não sobem a serra — , amores tristes, amor louco — aquele do eu por ti e tu por outro — , algumas até ridículas, “mas afinal só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor são ridículas”, como dizia Fernando Pessoa.

Os tempos são outros, enfim, mudaram-se os meios de comunicação entre as pessoas. E enquanto o cronista escreve, chegam mensagens em seu webmail: e nem um e-mailzinho dela, que ele está esperando em vão há tanto tempo. É, os meios de comunicação mudaram muito; o amor, esse continua o mesmo.

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