S
Coragem, […]
Ora da troca de pele
que a náusea que assombra a minha sombra
depois de tudo depois de todos esses anos todos
dia após noite após dia após dia, avisa
por baixo da membrana me desnutrindo de mim
Já estou repetitiva, apressa-te senão te acostumas
na língua do vômito, no esforço dos esforços para traduzi-la
preludiando um parto, contração a contração
A hora é agora, abre a boca e regurgita
Que se por ora te serviram esses membros
Foi para que te livrasses deles, com o tempo
A fim de entender os homens, mas não de sê-los
Então liberta-te da casca que já há tempos se descasca
E revive, revolta, arrasta-te garganta afora
Porque ao contrário das outras cobras, não te rastejas
Que isso é coisa da humanidade mais que mais-que-perfeita
A ti, cabe arrastar, a si e ao mundo e aos mundos por vir
A eclodirem dos teus ovos ainda a serem postos
Desfaz-te dos Lúciferes, por tanto, tanto tempo serviste-lhes
Que teu rival não é mais o homem, simples ferramenta
Mas o golpe que dele usufrui afim de por fim à vida
E que não sabes de onde vem, mas a quem tu te opões
Por tanto é hora de trocar de pele, que aonde tu queres chegar
Estreitas as fendas e as feridas, só tua forma em S te servirá
Tão melhor se abrirão tuas costelas, é hora de achar a vida
Arrastando, subindo-lhe, evolvendo, constringindo, natureza
É hora de abarcar a vida, dela deitar-se, devorar e digeri-la
Para que viva a viva e aviva-te de ser a Ti
E nada mais abaixo ou acima,
Entre, Vai-te, Vive
[…] É-se.