Esta sensação, de que ao teclar as letras, o texto vai se construindo, me é muito familiar.

A hipervelocidade me coloca em encontros que saturam os instantes de minha vida. E meu coração bate em compasso de samba e poesia com pessoas que estão em outros lugares. Esta solidariedade que escapa do espaço e inunda o tempo, me deixa encantado.

Essas solidões desérticas e povoadas de afetos, me ultrapassam. Muitas vezes me abandono em um curso de ação inesperado. E, então, me vejo como um estranho. Como pude chegar até aqui? Que hábitos e permanências, fugazes, conectam o que tenho de experiência ao que subitamente começo a experienciar?

Que novo “eu” é esse, que eu não esperava e despudoradamente toma esta unidade carbono que sou? Meu corpo, minhas vísceras, se entregam a uma emoção que me invade e se instaura em mim. Já era um “eu”? Ou é um “outro” que nasce de mim, ou por mim. Bagunçar o universo é isso.

Mais do que arriscar estamos nos aventurando. E isto tem o custo e a delícia de se ir até onde os afetos nos permitem. A diversidade de mim mesmo, e em mim, é inaudita. Poucos de nós podem olhar para essa diversidade nos outros. Menos ainda em si mesmos.

A sensibilidade pode ser desafiada. Mas não pode te impedir de parir estas palavras, estes textos, compostos de fragmentos fonéticos, que dão curso ao pensamento de teu afeto. Podemos dizer que é biopolítica pulsando. Relaxando as categorias que engessam o pensamento, para retornar a elas na forma de escrita. Na forma de um novo modo de enunciar. Política — bem comum — gestado em nosso corpo pulsante, vivo, visceral e subjetivo…

Desde um lindo domingo, no Sul do Brasil, num “Porto Alegre” recebendo as inauditas novidades humanas, como a terra recebe sempre novos raios de sol.