Duas medidas: Uma tragédia.

Os jornalistas, âncoras, cronistas, comentaristas, colunistas e repórteres tupiniquins, da grande mídia, veem o mundo como quadros em uma galeria. Um conjunto de obras distintas submetidas a regras diferentes e independentes. Regras das quais eles mesmos estão excluídos. Como Deuses eles falam de interesses pragmáticos, imperativos categóricos, moral e ética como se fossem antropólogos alienígenas a julgar tribos diferentes e desconectadas.

Jornalistas que conhecem os intestinos da política, porque é neles que suas vidas existem, falam da conduta de Cunha como sendo um fenômeno da práxis política. Ele é narrado como uma potência capaz de estabelecer uma dobra sobre o direito e coloca-lo em suspenso, em função das conveniências do interesse, afinal ele é ladrão e só pode agir como ladrão. E, quanto mais trapaça, quanto mais se desvia, menos se deve exigir dele.

Na sequência falam de Lula, de Dilma e do PT como se estivessem olhando outro quadro. Se escandalizam até rasgar as próprias vestes. Renegam como aberração o que sempre souberam ao longo de suas vidas de cronistas do cotidiano. No caso da esquerda enxergam um quadro onde as exigências morais vigoram ainda mais quando são violadas. Um quadro onde, a despeito de qualquer interesse o que importa é a norma, a retidão, a moral e a ética.

Dois pesos e duas medidas.

A imprensa, os juristas, os intelectuais e os acadêmicos não terão notado o que poderia ser uma sociedade onde as pessoas pudessem escolher entre ser Dilma e ser Cunha. E se a turba escolher ser Cunha contra alguém?

Abaixo o Link para o artigo de Lenio Luiz Streck, que me inspirou na escrita deste post.

Pai, por que eu devo obedecer a norma que diz que o Cunha pode tudo?

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