Tudo são Sonhos. Alguns são no sono. Os demais, povoam a vigília desperta.

Nos sonhos todas as pessoas com quem falamos são fragmentos de nós mesmos. Projeções da mente que simulam pessoas que existem — conforme acreditamos — fora de nosso intelecto.

Já sonhei com uma pessoa que era ao mesmo tempo a síntese de duas pessoas com as quais convivia, quando acordado. Outras vezes, sonhei com pessoas híbridas que se transformavam em outras.

Durante o sonho quase nunca me dou conta de que estou sonhando. E as vezes, quando acordado, me pergunto se não estou dormindo.

A questão sem resposta é a que Lao Tsé se fez há muitos séculos: Se tudo ocorre na mente, sonhos e pesadelos, dores e alegrias, como saber se aqueles com quem falamos nos sonhos são menos reais do que seus correspondentes durante a vigília?

Como saber, afinal, se existe uma realidade que não seja apenas mais uma espécie de sonho? O tempo e o espaço se diluem em uma mesma substância como pessoas diferentes que se combinam em uma só entidade onírica.

Quando estive semi desperto, sonhei com objetos que via em frente ao sofá da sala. Mas no sonho eles estavam vivos. Tinham pele morena e veias salientes por onde pulsava sangue. Objetos com vida, que nos segundos que o semi sono durou, puderam vivenciar uma existência milenar. Extensão e tempo ocuparam instantes sem dimensão no cronômetro do micro sono e séculos no relógio do sonho.

Não se trata da realidade do sonho. Mas sim do fato de que a própria realidade é um tipo a mais de sonho.