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(Cheeseburger da Consciência parte 11)

Jovem deitado numa cama. Quarto típico de um jovem de 24 anos. Violão, guitarra, pôsteres na parede, nada muito chamativo ou exagerado.

Estava condicionado ao prestígio. Não a honraria social mas o chocolate tradicional mesmo. Comecei a discutir acerca da qualidade original do chocolate da fábrica do pai dela, que sequer conseguia ouvir Carpenters. Não gostava desse negócio de artes, coisa de gente estranha, até negou livrões de poesia de um autor local, na cara dura mesmo.

O aspecto do recheio era como se fosse o de um gel, branco e sabor coco. Uma pasta uniforme querendo parecer tradicional. Açúcar demais e pouca valorização ao sabor do chocolate em nuance alguma, simplesmente macio o bastante para não se engasgar.

Queria gostar da tua fachada como se fosse de verdade por dentro

mas eu sei muito bem qual é a mentira

nem ligo pra não preocupar

cair do cavalo às vezes faz bem

jóquei argentino de sobrenome desconhecido

Uma literatura de nomes seria verdade?

Citar um punhado de conhecidos e suas respectivas auras de importância social em grupinhos sectários.

Expandir é fugir dos ciclos

“Tua literatura de merda já parece cheia dos querer soar como definitiva, dizendo frases assim com esse suposto peso todo.”

“Como se os personagens quisessem marcar um momento inespecífico, dizendo uma sentença qualquer sobre a vida e seus motivos, não é?”

O começo do pertencer?

O centro

O início de morangos e creme de leite

“chantilly dreams”

anos 80, óculos Kurt Cobain fase In Utero

O aparecimento efusivo progressivo de uma classe média denuncia seus motivos, razões e crenças positivistas. Vários níveis de endividamento da alma perante as coristas da luxúria. Isso soa radicalmente católico, Thomas.

Projeções são as aparências arquetípicas, o que se projeta como sendo a verdade máxima daquela pessoa: exemplo dos níveis

1) você pode projetar algo banal como a cor favorita de certa figura/personagem

2) você pode projetar características mais complexas, malabarismo de taxações, a posição da xícara do café em suas mãos.

Verdade máxima dentro de um contexto social mediano e inerte em valores cambiáveis?

Suposta mudança em andamento.

Efeito talvez do que sempre ocorreu a quem resolve escrever aos vinte e pouco anos a respeito do que anda observando nas pessoas de sua idade, o mundo visto por alguém jovem, momento crucial de percepções agudas e conciliatórias sobre um bocado de questões.

O sermão contraditório do pai com as vistas turvadas. O velho chega cansado se arrastando. Não existe clube do coração. A viagem foi um tédio, aeromoças espantalhos robóticas, apesar de uma paquera ter estado fora de cogitação. A eterna impressão de que Pepsi tem gosto de sabão. Imagina se te pedirem para retirar o nome — marca Pepsi, apenas por não quererem ter algo a ver com o gosto associado ao sabão. O que convenhamos é a mais pura verdade.

Às vezes é difícil demais apenas manter as coisas como estão

A manutenção do controle social

Quem é quem na matilha

As diferentes castas desde sempre

aparentemente

O que move a história, o fio-condutor, o motivo-errante que tornam móveis os personagens são as taxações e projeções dadas por um autor-narrador, o EU/olho que vê as ocorrências e ao seu modo e bel prazer transfere tudo para o papel.

“Querida, você está usando drogas, aposto se fizer o exame do exército na certa é que vai dar positivo, será descoberta.”

- Tomar vinagre o dia inteiro

- Aquele filé suculento continha uma uva, pra dar aquele toque ácido especial.

Segurar-se nas constatações?

Uma forma de se sentir sob controle, uma direção para a casa de máquinas da mente que opera sem parar com hipérboles, encantos e desencontros aqui e ali sem cessar. Taxar é se postar diante de um outro, vários “eus” em choque na pista, na redoma de jovens universitárias que aprenderam a beber e a fumar.]

É meu dever

Me justificando para a sua leitura

Gosto dela e da companhia dela, passas ao rum, classe, nada de programa de índio ao seu lado. Os parques e jardins ganham demonstrações públicas da minha apreciação pelo populismo fascista. Talvez eu goste porque se parece com filmes de Fellini.

Alguém que aprecia as tão faladas coisas simples da vida, sem a melodramatização do senso comum. A classe-média enfurnada em apartamentos com grades e temperatura ambiente é a pior escola da vida que alguém pode esperar ter.

Ele fumou um béque na escadaria que leva para a verdadeira casa de máquinas. Que simbólico! Uma “pamonha” se desfez espalhando resquícios da erva mal dichavada para uma futura inspeção dos faxineiros responsáveis. Um prédio onde o neurótico medicado tem direito a uma reclamação impressa no comunicado afixada nos halls de cada andar.

No meu temos um espelho, doado por um antigo vizinho sorridente.