§ O Eterno Retorno (dos Beatles!)

Cheeseburger da Consciência (parte 1)

Fenece quando morre. A vontade de voltar, o passado sempre presente. Ao morrer, os símbolos pessoais de uma era finita — que do alto entusiasmado dum frisson megalomaníaco movido a pó — parecia durar para mais além do universo proposto, aceita através da celebração do provável e eterno desdobrar-se, num perfeito convencionalismo de aceitar o que foi estabelecido e consequentemente enterrado. A ruptura com outrora que se torna tradição, o que sufoca é o que transmite noção de estrutura sólida imutável. Todo ato revolucionário tem seus dias de validade contados a partir do momento no qual se transforma em roteiro casual de vistas, casarões de estrelas de Hollywood no pacote de apreciação, suspiros, admiração e admoestação para os mais jovens:

“Meus caríssimos, esse é o verdadeiro rock and roll a ser perpetuado! Aqui jazz os Rolling Stones!”

Fadados ao eterno retorno, a cobra que come o próprio rabo, símbolo chinês de elipsismo. O círculo do ciclo que inventamos para nos convencer de que ainda é possível transgredir.

- Me justificando para a sua leitura

Segurar-se nas constatações?

Uma forma de se sentir sob controle, numa direção acima, rumo a casa de máquinas da mente que operacionaliza sem parar, hipérboles, encantos e desencontros aqui e ali. Taxar é se posicionar estruturalmente numa conversa diante de um outro, vários “eus” em choque na pista de patinação, na redoma de jovens universitários que aprenderam a beber, a fumar, o pacote completo da socialização.

É meu dever informar.

O raquítico recruta-zero da personalidade comerciável. Uma novidade, antítese debaixo das cobertas, sempre disposto a colaborar com alguma coisa, resolver alguma pendência explícita ou cavoucada por seu faro de homem do comércio. Contato significa provável cliente no futuro das compras. Sempre segurando um cartãozinho a tiracolo, tirando do bolso, estando sentado ao lado da lésbica que num dia de brisa planejou alçar voos mais altos que sua vidinha mundana, no crepúsculo de uma Pirenópolis alucinada, embasbacada em álcool de cerveja quente, latinhas jogadas na trilha e um alçapão da alegria que começa a se dispersar na volta logo no dia seguinte.

Algumas pessoas viciam no barulho, no zum zum zazoeira das noites hypadas, ciclotímicas em seus diversos auges de movimentos de calor, variações da pressão corpórea de cada um e suas raízes estalando, como se estivessem no cio das toxinas intercambiáveis entre sorrisos, cumprimentos, gracejos. A palavrinha favorita para o tema em questão.

Os candelabros bruxuleantes parecendo piscar. Pioram o estado catatônico de quem, ao contrário de Marx, não está acostumado a onda de vodka. O vinho que, horas mais tarde, não vingaria no estômago. Poderíamos ficar horas discutindo fissuras e fixações nos livros de Henry Miller, música, conceitos artísticos, a completa falta deles, impressões aleatórias sobre cada personagem (o que somos!), ponto de vista de quem enxerga o mundo através de cacos em nossas cascas.

Não sinto a necessidade de criar personagens que terceiros (puxa! eventuais leitores!) acreditariam, ou fantasiaram sobre uma realidade-personagem, se existiram de fato ou ainda existem no que é considerado a VIDA REAL. Apenas observar distante aqueles que mastigam de boca cheia o feno cultural, celeiro de egos superpovoados de mexilhões, mexericos e tudo nenhum pouco significativo. Na cidade-criança perto da vida que parece explodir lá fora, na grama mais verde do vizinho, subvertendo ao seu bel-prazer valores intragáveis, exclusivamente de terceiros, aparentemente. A colônia dos colonizados é incapaz de se mover como um orgão cheio de tentáculos fiercy (tépidos) da mesma forma que uma unidade disforme e contraditória, super café motivada para apreciação. Alma doce e sincera de criança, um futuro-paisagem adiante, uma perspectiva ensolarada, imagens que povoam nosso consciente coletivo de conforto e bem-estar.

- Perdido em tradução

do que?

do que deveria ser

do jeito que me prometeram ou como idealizei que seria

cheguei e não é

reatores de luzes tecnológicas

Japão-exílio da vida real fastidiosa que espera distante, além mar, noutras paragens.

- Se continuar assim serei um boneco inflável bilíngue

criança lerda insofismável

contanto que o espírito santo me ofereça unção

contanto que eu aceite as benditas metáforas e analogias

metodologia orientadora que cria e induz sarcófagos alheios e diluídos num bafo quente goela abaixo

na língua tudo é possível

e quem dizer que não…

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