Sol às três da tarde dos teus cabelos

(Cheeseburger da Consciência parte 13)

O diário secreto ao estilo Maria Antonieta de Platão. Deleuze liga chamando Aristóteles pra “fumar um” no bosque. O corpo docente e austero renuncia brincadeirinhas desse calibre.

É difícil falar do fogo tendo o abismo (ou um abismo?) a sua volta. Rodeado por longas avenidas horizontais, suas luzes verdes (fruto do pretenso bom-gosto de designers) e distribuidoras de bebidas que só vendem por atacado, mesmo ficando (permanecendo) 24 horas aberta todo dia.

Um interfone toca, os corações de ambos lados, ambos os mundos palpitam…

A planta está no sangue verde-musgo

O psicanalista Helio Henry atende às quartas numa alameda, próximo ao lugar bossa-nova residencial, além de redes bahianas penduradas em sacadas, jovens andam de skate.

Eis o filme ao redor, procurando parcelas de culpa no fato de Marx viver afastado do centro, e de fato 80% dos problemas dele estariam resolvidos. Questões da idade em estacionamentos de supermercado, antes do início da época na qual tudo estará perdido, irrevogável para a nossa geração que envelhece, e se torna a legenda de grupos alheios juvenis do pedaço, do momento único que só o eterno amanhã propicia.

Nomenclatura do jovem lesgo

O apreço sincero e afetivo pelas carangas de ontem. Nasce uma onda fetichista

* Informações se ele sofre? Não sei, um pilantra, quer todas as mulheres do mundo, acha que a vida é curta, constantemente. Uma rede Woody Allen de neuróticos incuráveis dissimulados e teatrais. Ingrid Bettancourt está livre. As FARC desmorona lentamente frente o poderio amerikano que gostaria de ver tudo bem aqui embaixo, na sombra Caymmi dos trópicos terrivelmente tristes e açoitados pela semântica frequente do afoito, do bêbado bobo-alegre pierrot fou apaixonadíssimo.

Tom Jobim até querendo soar sério denota fanfarronice.

Uma frase escrita parece durar dias

semanas e meses

excentricidades do uso teste psicoquímico

Os cardeais do ensino não toleram gracejos

cervejarias pelo contrário

à benção dos bebuns barbados

sóbrios nem mesmo diante da família

O tranco é barra pesadíssima

O tranco que a vida dá, às vezes,

quando se acorda

tumultuado em ondas curtas

próximas avenidas largas infinitas

Minhas sinceras desculpas para Clarah

Não é crocodilo

Não come o bode

mas é do balacobaco

* Pesquisar: Gantois

Carro como extensão-fuga do próprio quarto inanimado, desenhos animados de estimação, andar por aí ao léu, queimando combustível, neurônios em excesso, ternos dispensáveis, a língua do fluxo intenso sentido.

* nothing but your skeptical face singing while playing the piano

“quero viver mais porque já vivi muito, mesmo que a vida não seja o que eu queria que fosse”

Henry, Helium 04/07/2008

6:20 (writing it down)

ternos e terrenos dispensáveis

O rosto oval de um Rio de Fluminense que chora. Não o seu, expressão das caricaturas sentimentais assim que você aciona, ou algo ativa uma emoção, estampada em propaganda (como se fosse) na cara, um outdoor honesto das entranhas.

Nadja e suas guts polivalentes, filha da Guanabara perdida.

Linda! De verdade sem rodeios para salão de beleza e suas detestáveis trocas, a personalidade instável de um artista que corta cabelos e toda manhã após coar o café (coador de pano) prepara o primeiro baseado do dia.

os livros e poemas que eu deveria ter escrito são apenas comichões nas têmporas de autores fodões, desses que controlam tudo, a ordem das sentenças, o impacto a ser causado, enfim, um projeto a longo prazo que conseguem concluir.

a vida pura e simples não dá livro. É preciso filosofia, matemática e aventurança. O berço da criação foi cagado e nunca mais limpo pelos escritores de todas as épocas.

Clarah Averbuck tem fluência, é literatura sim, consegue transmitir carisma através do fluxo de emoções desoladoras (principalmente) ou não. Seu problema é a repetição de temas escritos, descritos e digeridos, aparentemente da mesma maneira, os clichês datados de uma experiência-pesadelo que parece juvenil e peremptória. Os lugares-comum das descrições sentimentais a tornam uma excelente iniciação para jovens de 15 anos. Seu problema é a falta de humildade (segurar a caveirinha um pouco mais) e admitir seu lugar no panteão de autores mercadologicamente aceitos. A impressão é que se ela fosse paga continuaria escrevendo do mesmo modo. Não passou pelo auto-proclamado teste de passar fome, dificuldades financeiras e principalmente viver fora de casa.

Ímpeto gaúcho confundido com falta de humildades, auto-crítica, Ramones da literatura. Ética Ramones da literatura, orgulho de uma fidelidade original a ignorante em ler somente uns poucos autores, ou talvez ela tenha planejado tudo e esteja rindo da cara dos seus detratores, sempre que atingem os mesmos pontos críticos em suas resenhas.

Qual a história mesmo? se pergunta a garçonete. Ela jura ter servido David Lynch quando trabalhou num bar — que tinha jukebox — em Atlanta nos Estados Unidos. Munida de esperança ela buscou o natimorto sonho americano. A culpa e suas partículas adocicadas podem ser divididas desde Norman Rockwell e suas gravuras, charges, desenhos, caricaturas de um modelo social americano de bem-estar e provolone e Little Italy até chegar em Steven Spielberg e suas mega-produções, seu teatro da sentimentalidade humana, principalmente da classe-média americana.

tendo o viés americano, dos subúrbios e seus preconceitos a respeito de tudo. A derrocada do socialismo. É coca-cola…