
A História Dessa Foto | O Dia Em Que Virei Natureza.
O dia era de um sol vermelho Ferrari e a mochila estava arrumanda: Facão, barraca e comida, tudo certo para passar perrengue. Dois inexperientes indo acampar sem pensar muito sobre.
Eu fui pela foto, queria praticar, o Fábio foi para descarregar o estresse da faculdade.
A trilha começou, e ninguém tinha avisado que caminhar na mata era tão cansativo, ninguém alertou que a cada passo a mochila ficaria mais pesada.
Depois de quase evaporar no caminho, finalmente chegamos, e ai redenção... graças a Deus chegamos, tirei o caminhão das costas e capotei no chão, fiquei leve novamente, só depois de descansar os olhos que pude ver... Que vista! Dá pra ver o Rio de Janeiro daqui de cima! Valeu a pena com certeza.
Bora arrumar as coisas, isso aqui é mata, quando escurecer já era... Fechamos a paisagem e bora trabalhar, eu pego lenha e você monta a barraca, a lenha tava humida e a barraca tava complicada, já tava escuro quando ela terminou de ser montada, não deu pra ver o chão direito, cheio de galhos, que desconfortável!
Nada de fogueira nessa noite... e o frio chegou azul gelo, eu acho que vou morrer de frio, não tinha terremoto, mas estava tremendo! Chega de ficar deitado, vamos lá ver a paisagem transvestida de noite, graças a Deus tem lua, porque lanterna só a tela do celular.
A noite tava clara, o céu tava na época de natal, cheio de luzes. Vishh vai chover, olha essa nuvem ai... Isso não é nuvem cara, é uma galáxia!
O Rio de Janeiro continuava lindo... E tava piscando pra gente, mandamos aquele abraço! A paisagem aqueceu o frio, e a paz já tinha descarregado o estresse... Éramos natureza agora, nada de capitalismo por aqui, a lei da selva era paz e tranquilidade.
Depois da noite fria e interminável, veio a bonança, ela veio na forma de uma bola de fogo assustadoramente gelada, mas apreciada, veio na forma de montanhas de chocolate com cobertura de névoas de chantilly. Aquela paisagem estava doce demais para minha lente embaçada, não consegui capturar com a dignidade que merecia, uma pena... Àquela manhã era especialmente doce porque a noite tinha sido muito amarga.
Durante a conversa matinal sem compromisso vimos o sol pintar as montanhas com um degradê novo a cada minuto, vimos a névoa caminhando para abastecer o orvalho, sentimos o azul gelo dar lugar ao céu de anil, encaramos o Rio de novo, e de longe era tão bonito, se me perguntassem eu jurava que todo mundo lá também estava feliz igual a gente.
Depois disso, deixamos de ser natureza e voltamos a ser homens contemporâneos novamente, seres pensantes com a nossa infelicidade de cada dia. Mas foi nesse dia ai que descobri que na verdade somos natureza e que de vez em quando precisamos ir para um pedaço de floresta para aliviar a pressão das selvas de pedra.
Essa é a história dessa foto, e fotografia é isso, é história. Umas contam uma história logo à primeira vista, outras esconde uma por trás, umas são histórias felizes, mas muitas outras também são tristes e tudo bem.
Algumas são histórias verdadeiras, outras são falsas, umas não são o que parecem, outras são razas, e essas são as mais comuns hoje em dia...
Fotografia é isso, é história.