Reflexão sobre o

dia do design para quem é designer

Antes que o dia acabe gostaria de demonstrar minha falta de alegria ao ouvir o dia inteiro um monte de pessoas, em minhas redes sociais, dando os parabéns pelo dia do design. Não é nenhum tipo de recalque, graças a Deus, eu me dei muito bem e sou muito bom. Claro que a profissão tem seus altos e muitos, mas muitos baixos mesmo, mas não tenho do que me arrepender.

Alguém pode estar se perguntando “Então, porque você não está alegre?”. Bem, a minha falta de alegria nesse dia do design se deve a falta do reconhecimento, tanto da profissão quanto do trabalho.

Sim, eu defendo a reconhecimento profissional do designer. São livros, cursos, palestras, coletivos, rodas de debates, viagens, faculdades, computadores e muitas mais coisas que temos de fazer, comprar, nos aprofundar e investir tempo para nos tornamos designers. Nenhum designer nasce ungido com o dom mágico e celestial do design, bem como nenhum engenheiro, arquiteto, assistente social, advogado, jornalista ou médico nascem prontos, mesmo que exista essa propensão mágica celestial, todos tem de se dedicar até chegar lá, até poderem se registrar e fazerem parte de um conselho ou algo que regulamente a prática profissional. A regulamentação não é nenhum medo da concorrência. Mesmo porque dentro da prática profissional de design existe muita concorrência. A importância se deve a defesa da profissão, a possibilidade de se criar sindicato que defenda e proteja os nossos interesses junto as empresas, a elaboração de tabelas de preços para prestação de serviços, a viabilização de concursos públicos específicos, a criação de faixas de imposto que sejam mais favoráveis para a legalização das pequenas empresas de design, e muitas outras vantagens que só vem para os profissionais com a regulamentação.

Quanto ao reconhecimento do nosso trabalho, além de passar pela regulamentação, ele tem que passar por quem consome design. Existe um gradiente gigantesco de variações de design, das unhas até componentes aeroespaciais. Algumas dessas variações nada tem a ver com design a não ser o nome. Isso, muitas vezes, se deve a falta do reconhecimento de algumas profissões que acabam agregando o termo design, para se tornarem valorizados, ao mesmo tempo que trabalhos genuínos de design, feitos por designres, são depreciados por já haverem outras profissões que desempenham trabalhos semelhantes. Mesmo parecendo contraditório, isso é um fato. Quase todos os designres que conheço já foram confundidos com outros profissionais, e muitos profissionais que não são de fato designres, se apresentam como tal. O reconhecimento do trabalho deve ser feito desde os aspectos financeiros, com remunerações diferenciadas, em quaisquer empresas que trabalhemos ou trabalhos que prestemos, a medida que um engenheiro civil não recebe a mesma coisa que um arquiteto. Até o simples reconhecimento do título, há muitas empresas que empregam designeres, mas em seu plano de cargos não tem a função de designer, sequer registram na carteira de trabalho esse cargo. Situações assim desvalorizam nossa profissão e fazem de nosso trabalho qualquer coisa, menos design.

Como já terminou o dia, aproveito não para dar parabéns obviamente, mas para dizer a todos meus colegas e amigos designres que usemos dias assim para nos motivamos, a organizar, a criar coletivos, associações, rodas de debates, ou o que seja, para falarmos de design e definirmos o que falta para o nosso design ser melhor ainda. Porque o que nos falta é aquelo corporativismo de outras profissões. Quando isso rolar, não vai haver mais sobrinho, amigo, ou qualquer conhecido que manja dos aplicativos, que faça mais baratinho, ou rapidinho, ou só pra se promover.