As questões da formação nacional na primeira republica


Movido por uma elite intelectual letrada em Coimbra, as primeiras correntes filosóficas brasileiras apresentam representações do pensamento liberal de John Stuart Mill e sua noção idearia de um estado positivo (segundo a lei dos três estados de Comte) o Brasil deveria surgir em sua estrutura própria de maneira progressista.

Entretanto, devido a sua base aristocrata agraria absorve estas correntes filosóficas de maneira singular, onde podemos observar até o final do século XIX liberais que defendiam a centralização de poder nas mãos do estado e a escravidão.

Entre os desafios da formação nacional o posicionamento de uma corrente filosófica que se adequasse as particularidades brasileiras e a fundação de uma identidade nacional foram os temas centrais na fundação do IHGB (Instituto de História e Geografia Brasileiro) que baseado nas propostas do botânico alemão Von Martius determina a formulação da história brasileira através da teoria racial, onde o Brasil seria dividido por suas etnias fundadoras, o branco, o negro e o Índio.

Desta forma, o Brasil como país mestiço buscaria as virtudes de suas raízes, exaltando a necessidade do protagonismo branco como principal elemento responsável pelo sucesso da nação e o espiritualismo como virtude indígena, neste ponto o dualismo teórico se faz muito presente onde há a incerteza na prosperidade da nova nação devido a mestiçagem.

Esta visão etnocêntrica da história também se deu de maneira regionalista onde o Brasil deveria utilizar estas invariáveis formações étnicas como elemento de coesão nacional desta forma solucionando a questão de divisão nacional onde se encontrava um norte enegrecido pós abolição da escravatura e um sul embranquecido, desta forma ambas as regiões compartilhariam um elemento comum, suas origens mestiças.

Desta forma nossa história se classificaria através do determinismo geográfico e racial, exaltando como seus pilares, raça, ambiente e história compartilhada.

Raça: Mestiça, tendo as principais qualidades do europeu e do índio, negro excluído de sua raiz.

Ambiente: País grande e abundante onde a postura não progressista seria justificada por “ventos marinos” na costa, demonstrando assim a necessidade nacional de se justificar através das teorias contemporâneas europeias.

História compartilhada: A formação do mestiço como elemento de identidade na coesão nacional.

O dualismo também se faz presente e é expresso por autores como Nina Rodrigues e Euclides da Cunha, onde a mestiçagem é presentada como a junção do que as etnias teriam de pior, desta forma o futuro da nação dependeria da eugenia para atingir seu sucesso.

A redenção de Cam Modesto Brocos

O quadro de Modesto Brocos, A redenção de Cam, demostra o processo de otimismo através da eugenia, na possibilidade de embranquecimento da nação.