A necessária convergência da centro esquerda e da centro direita no Brasil

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A solução de poucas páginas de Arrow resolveu 200 anos de problemas, de Borda, passando por Condorcet, na ciência política e tem consequências deste a teoria do voto até problemas de construção de instituições políticas e moralidade. Posto isto, sugiro para qualquer leitor o belo livrinho editado por Sen e Maskin, Nobel de Economia 2007.

O que a prova de Arrow abre é o debate, claro, sobre a importância das instituições políticas, da construção de consensos. A “crítica “ de Buchanan e Tullock ao teorema, e de outros, vai nesse sentido.

Uma breve pausa, pois preciso do Paradoxo de Sen ou da Impossibilidade de um Liberal Paretiano. Outras poucas páginas de uma prova que lhe rendeu o Nobel. Daqui tiraremos a (i) importância da tolerância, (ii) sempre será impossível consenso com radicalização e (iii) por isso, normativamente falando, a tolerância deve ser estritamente preferível à intolerância (e que se garanta isso constitucionalmente e na prática).

Imagine que um livro pornográfico vai ser publicado. Sen usa o exemplo de O Amante de Lady Chaterley, de D. H. Lawrence, que mal foi publicado, censuraram-no em vários países. Imagine dois indivíduos, que são a sociedade. Um é o moralista e o outro, o pervertido. O moralista é também o censor e para censurar o livro ele deve obrigatoriamente lê-lo. O careta não quer que o livro seja liberado, o pervertido quer.

Opção melhor para o pervertido seria o livro ser liberado: isso maximizaria seu bem-estar, mas diminuiria o do censor. O censor para censurar o livro, deve lê-lo, o que diminui seu bem-estar, pois ele fica enrubescido e envergonhado, desgostoso. Uma solução é: o pervertido sabe que o livro é sacana, que infelizmente ele não o lerá se for censurado (cai seu bem-estar), mas ele tem algum prazer se, pelo menos, para censurar, o careta for obrigado a ler. Não há solução possível que maximize a liberdade e o bem-estar de cada um ao mesmo tempo.

A intuição, do teorema, é robusta em termos práticos e pode se aplicar a vários problemas de escolha social na vida prática. Mas, o mais importante é, claro, supor que não há censor nem censura e que lê o livro quem desejar. A solução da Suprema Corte dos EUA para o caso Larry Flint é mais ou menos essa: pode-se vender pornografia, desde que com regulação para não ofender outros e menores, embora para o juiz que tomou a última decisão o que Flint fazia era desagradável. O filme é, dizem colegas do direito, bem fiel ao que aconteceu na vida real.