O que é o Amor em Cristo?

Um breve ensaio exegético.

Marcos Franthesco
Sep 4, 2018 · 14 min read

Prefácio

Iníquos modernos são emblemáticos. Não creem em absolutamente nada que nós cremos, mas insistem em tentar nos ensinar a “verdadeira doutrina cristã”, que em Cristo nada tem. E ainda dizem que leram a Bíblia, no mínimo, 3 vezes. Dentre as muitas heresias e blasfêmias que tentam ensinar aos batizados, a mais recorrente é a paródia satânica do Amor que Nosso Senhor tem por nós e será dessa falsidade que irei tratar.

Assim como n’outro texto, este será feito também à maneira escolástica, sendo apresentadas primeiramente as teses às quais me oponho e seus respectivos argumentos, por conseguinte a problemática que impede a tese de ser imediatamente verdadeira e finalmente a solução do problema e efetiva refutação da tese e seus argumentos.

Comecemos.

Vivat Christus Rex!


Se o Amor Cristão é aceitar o pecado.

Discute-se assim. — Parece que, por Amor, o batizado aceita o pecado.

  1. Pois Amar uma pessoa é aceitá-la como é e Cristo ama principalmente as pessoas pecadoras. Ora, não há pecador sem pecado. Assim sendo, Cristo aceita o pecado e tão logo os batizados, seus imitadores, também o devem fazer.
  2. DEMAIS — O amor ou ódio que se tem por uma das partes do todo é também uma relação ao todo. Ora, quem odeia as partes de algo, odeia também a coisa em sua totalidade. Logo o amor só pode ser pleno e verdadeiro se for direcionado a todas as partes da pessoa.
  3. DEMAIS — Odiar o pecado do outro certamente provocaria vexação e sofrimento a ele. Ora, quem ama certamente não quer expor o outro ao sofrimento. Logo quem ama, para não fazer o outro sofrer, não odeia o pecado.

Mas, em contrário, diz a Escritura que Deus odeia o pecado (Isaías 61:8), que também nos ama (São João 13:34) e que também não mente ou se contradiz (Hebreus 6:13–20).

SOLUÇÃO — É necessário admitir que amar outra pessoa não é aceitar seus pecados, mas repudiá-los, tal como Deus o faz. Lembremos, primeiramente, do que diz o Senhor:

“33. Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós haveis de me procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora para vós: para onde eu vou, vós não podeis ir. 34. Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como EU VOS TENHO AMADO, assim também vós deveis amar uns aos outros. 35. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. 36. Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas seguir-me-ás mais tarde. 37. Pedro tornou a perguntar: Senhor, por que te não posso seguir agora? Darei minha vida por ti! 38. Respondeu-lhe Jesus: Darás sua vida por mim!…Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo até que me negues três vezes.”(Evangelho Segundo São João, Capítulo 13)

“1. Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. 2. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. 3. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais. 4. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou. 5. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho? 6. Jesus lhe respondeu: EU sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto. 8. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.9. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… 10. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. 11. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras. 12. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim FARÁ TAMBÉM AS OBRAS QUE EU FAÇO, e fará ainda maiores do que estas, porque VOU PARA JUNTO DO PAI. 13. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei. 15. Se me amais, guardareis os meus mandamentos. 16. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. 17. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. 18. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós. 19. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis. 20. Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós. 21. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele. 22. Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo? 23. Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada. 24. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou. 25. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. 26. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito. 27. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! 28. Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu. 29. E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem. 30. Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim. 31. O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.”(Evangelho Segundo São João, Capítulo 14)

“1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 2. e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 3. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 4. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 8. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. 9. COMO O PAI ME AMA, ASSIM TAMBÉM EU VOS AMO. Perseverai no meu amor. 10. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.11. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a VOSSA ALEGRIA SEJA COMPLETA. 12. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15.Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16.Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. 17.O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. 18.Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. 19.Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. 20.Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa. 21.Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. 22.Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado. 23.Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. 24.Se eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora as viram e odiaram a mim e a meu Pai. 25.Mas foi para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo (Sl 34,19; 68,5).26.Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27.Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Evangelho Segundo São João, Capítulo 15)

“1.Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda. 2.Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. 3.Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4.Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo anunciei. E não vo-las disse desde o princípio, porque estava convosco. 5.Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais? 6.Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.7.Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. 8.E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. 9.Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. 10.Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; 11.ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado. 12.Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. 13.Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. 14.Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará. 15.Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará. 16.Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai. 17.Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai? 18.Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer. 19.Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver. 20.Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria. 21.Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. 22.Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23.Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. 24.Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita. 25.Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai. 26.Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós. 27.Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus. 28.Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai. 29.Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura. 30.Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus. 31.Jesus replicou-lhes: Credes agora!… 32.Eis que vem a hora, e ela já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está comigo. 33.Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” (Evangelho Segundo São João, Capítulo 16)

“1.Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; 2.e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. 3.Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. 4.Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. 5.Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. 6.Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. 7.Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. 8.Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9.Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10.Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. 11.Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12.Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13.Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14.Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15.Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16.Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17.Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18.Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19.Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. 20.Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21.Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24.Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25.Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26.Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.”(Evangelho Segundo São João, Capítulo 17)

Com estas palavras o Senhor anuncia que seu Amor por nós não é idêntico ao que temos muitas vezes pelas coisas que nos cercam e nem poderia ser. Pois aquilo que os homens muitas vezes chamam de amor consiste, na verdade, numa relação particular entre Ação e Paixão, duas das dez Categorias. Estas duas são, respectivamente, o exercício das faculdades sobre a substância de modo a produzir efeito n’outra coisa ou nela mesma e a recepção sofrida, pela substância, do efeito produzido por um agente. Assim, todo agente age por um fim. Não fosse assim, o resultado da ação seria qualquer coisa ou coisa nenhuma. Mais, o agente e paciente, dentro de certa relação, são idênticos em fim, mas em sentidos diferentes. Pois esta mesma coisa é aquilo que o agente visa imprimir e o paciente visa receber. No entanto há certos seres que, mesmo ao agir, visam obter algo, o que os dá nome de agentes imperfeitos. Nestes convém que a ação seja também a aquisição de alguma perfeição da qual carecem. Ora, para que existam os agentes imperfeitos é necessário que haja, como demonstrou o Doutor Angélico (ST P1 Q2 A3), o Agente Perfeito, que é Deus. A ação Dele não visa aquisição de algo que não possuísse, mas comunicar a cada uma das criaturas suas respectivas perfeições, que são semelhança da perfeição e bondade divinas. Assim, o fim de todas as coisas é Deus.

Dito isso, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao ordenar que amemos-nos uns aos outros como Ele nos amou, nos ordena que desejemos para nós e todos os demais a mesma bondade e perfeição divina que Ele próprio nos desejou antes mesmo da Criação e de seu Supremo Sacrifício, donde se segue que amar é desejar o Bem-em-si ao outro. Logo, o pecado, que é contrário aos desígnios de Deus para a humanidade, é obstáculo e um mal que o homem coloca sobre si mesmo em relação ao seu fim último e não aceito pelo nem pelo Pai, nem pelo Filho, nem pelo Espírito Santo e tampouco deveria ser aceito por nós, mas combatido todos os dias até o fim dos dias.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Como foi exposto a cima, Nosso Senhor explicitamente abomina o pecado e nos exorta a fazer o mesmo.

RESPOSTA À SEGUNDA E TERCEIRA – Sendo um pecado um mal que homem causa a ele mesmo, não é possível que, por amor, o aceitemos como algo normal. Acaso é por amor que uma mãe displicente assiste, sem remorso, seu filho se perder no mundo e pouco a pouco arruinar-se em bebida? Se assim fosse, até dono do bar o amaria sem ter nenhuma intimidade com ele e desejando puramente o benefício próprio.

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