Uma História em 5 atos
A primeira apareceu quando ele mais precisava. Cheia de personalidade e com uma beleza que só ele parecia apreciar, ela não mediu esforços para torná-lo dependente da sua presença. Logo, promessas de que se tudo desse certo eles casariam no futuro começaram a se tornar reais. Que baita tolo ele foi. Não demorou para que ela se despedisse sem deixar uma explicação e continuasse vivendo como se nada tivesse acontecido, se tornando a estranha mais íntima de toda a sua vida.
A segunda tinha o sorriso mais bonito que ele já havia visto. Quando ela sorria, seus olhos ficavam minúsculos dentro do rosto e ele achava a coisa mais doce do mundo. Com ela por perto, ele sentia dificuldades em olhar para qualquer coisa que não fosse aquele corpo. O primeiro beijo veio carregado de alívio e desejo. O segundo veio acompanhado de uma paixão arrebatadora. No terceiro, ele já estava completamente entregue. Com o passar dos meses, a história se apagou como quase sempre acontecia e o que restou foram as memórias fotográficas, tão vivas em sua mente que chegavam a doer.
A terceira tinha um cabelo vermelho inconfundível, um sotaque engraçado, uma intensidade que o deixava meio sem fôlego. Inconstante como nunca antes havia visto, ela entrava e saía da sua rotina como bem entendia, transformando seus dias em grandes celebrações ou enormes funerais. Enquanto se preparava para o desastre que ela causaria algum tempo depois, se entregou outras inúmeras vezes e deixou que ela dominasse o seu pensamento. Quando finalmente sofreu o golpe final, ele já não era mais capaz de revidar e agonizou sozinho por alguns dias antes de se recuperar.
A quarta representava um mistério a ser desvendado. A cara fechada, as poucas palavras e as mudanças de humor o deixavam com medo e intrigado. Era um desafio que ele gostaria de ganhar. Ela não representou o ideal de amor que ele havia criado durante toda a sua vida, mas talvez não era isso que ele estava procurando naquele lugar. Não foi difícil desapegar, mas foi frustrante e sem graça. É impossível se esforçar em uma partida quando apenas um dos lados está disposto a jogar.
A quinta ele até agora não sabe se foi real ou uma alucinação. Carregando o pior e o melhor do que ele já havia visto até então, ela tomou conta dos seus dias sem pedir permissão, cuspindo palavras que no fundo sabia que não eram sinceras, mas que o fizeram acreditar em mais uma daquelas lindas coincidências da vida. No derradeiro suspiro da sua alma, ele reuniu forças para entregar o que ela parecia querer, até quando tudo se tornou confuso e sem sentido.
O sexto ato dessa história ainda não foi consumado. Teria ele forças para continuar apostando no desconhecido? Enquanto se recusar a continuar vivendo intensamente, a vida o dará novas oportunidades para que se tudo der errado mais uma vez, novas linhas carregadas de desilusão sejam escritas em um futuro próximo.
