Encher a mochila e esvaziar a cabeça
A ideia de ir, de carro, ao litoral Uruguaio com 3 amigos
Não sou um mochileiro experiente. Na verdade nem sou mochileiro. Não vou contar aqui uma grande história sobre uma viagem de 60 dias pelo Deserto de Uyuni, pelo Leste Europeu e nem mesmo pelas belíssimas praias de alguma das inúmeras ilhas da Indonésia. Se você chegou até aqui em busca disso eu recomendo que pare por aqui e procure outro texto.
O que eu vou contar não é assim tão nobre e edificante, mas espero, de coração, que possa me deixar plantar, em quem assim como eu, tem uma vontade (um sonho!) e fica se boicotando para não realizá-lo; seja por medo, por comodidade ou por qualquer outro motivo que possa ser camuflado em desculpas como: “mas isso é caro…”, “eu não tenho tempo…”, “mas e se der algum problema…”.
Acredito que eu não seja o único a ter aquela vontade de pegar uma muda de roupa, alguns trocados, uma companhia e sair vagando por lugares simples mundo a fora descobrindo novos lugares, novas culturas, novas vidas, novas pessoas e — o principal — novas experiências. Podendo, na bem da verdade, me colocar a prova de “me virar” num meio onde não adianta gritar pela mãe.
O lugar mais longe que eu havia ido, até o início de 2014, havia sido a trabalho até a cidade de Campinas (São Paulo). A passeio meu desempenho é ainda pior: mal saí do Rio Grande do Sul — algumas poucas e breves idas à Santa Catarina. Mas neste ano eu me permiti uma viagem para longe.
Embora a viagem definitivamente não tenha sido um mochilão, tampouco tenha dado qualquer trabalho ou propiciado algum tipo de dificuldade, ela mostrou como é interessante essa interação com partes desconhecidas, culturas diferentes e, mesmo sem ter conseguido me alongar em qualquer tipo de conversa, pessoas que parecem tão distantes.

Viajar se mostrou ser algo viciante. Apaixonante. O desafio de ver o que há “um pouco mais para lá” é insaciável e quem o faz não consegue mais parar. Retornei dessa primeira viagem com alguns paradigmas quebrados, o principal deles era o que me dizia que viajar era difícil; seja por ser caro, seja pela falta de fluência em um segundo idioma ou seja por qualquer outro motivo.
Fui me tratando com doses homeopáticas de “situações diferentes” e estava disposto a um passo maior. Queria um pouco mais de autonomia viajante: não queria o simples (e fácil!) ir a uma agência de viagem, comprar um pacote num hotel e escolher os melhores passeios com horários marcados. A minha proposta da vez era fazer “por conta” uma viagem curta de 5 dias a um lugar nem tão distante de onde eu moro.
Mês que vem vou de carro ao Uruguai com mais 3 amigos. Sem hotel, sem agência e sem medo. O roteiro não está definido, mas sabemos que queremos conhecer Punta del Diablo e Cabo Polônio. Cidades de pescadores que não apresentam nenhum luxo. Vamos lá para ver a vida simples das pessoas.
Ainda não fiz a viagem, mas só de saber que está tudo pronto e só estamos esperando a data já dá uma prévia de como é esse sentimento de “vencer um desafio”, de “sentir-se vivo” e, principalmente, das expectativas e da ansiedade a respeito do que descobriremos e do que iremos vivenciar.
Como disse Gabriel Toueg em seu texto “Sobre Viajar”: Viajar é sexy!
Tenho algumas segundas intenções com essa viagem, mas isso fica (talvez) para um próximo texto.
Lição 1. viajar não precisa, necessariamente, envolver longas distâncias
Lição 2. viajar não é tão difícil quanto dizem
Lição 3. viajar é muito melhor do que comentam, independente do lugar para onde se vai.