Esvazie a mala

Esvazie a mala, a viagem é longa, com essa mala pesada vai acabar não aproveitando o caminho!

Você já notou como esse mundo moderno nos influencia ao consumismo, sempre ter mais e mais coisas que na maioria das vezes não usamos? Somos influenciados a ser acumuladores de fardo.


Gostaria de começar esse devaneio paralelo com uma parábola, que é conhecida como o sábio e o turista. É uma história poderosa que nos faz refletir muito sobre a forma de como vivemos.

Conta-se que no século passado um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
– Onde estão seus móveis? — perguntou o turista.
E o sábio, mais que depressa, perguntou-lhe também:
– E onde estão os seus?
– Os meus?! — surpreendeu-se o turista — Mas eu estou aqui só de passagem!
– Eu também… — concluiu o sábio.

Você percebeu que no lar do sábio só tinha o necessário? A única coisa em grande quantidade eram livros, porque só o que devemos acumular nesta vida é sabedoria, que é a principal chave para o despertar da ilusão do próprio ser, afinal, se o objetivo da vida fosse acumular bens materiais, os milionários não morreriam, viveriam eternamente mergulhados em suas montanhas de dinheiro e sentimentos gélidos.

A vida é um sopro, passa rápido, você nem percebe, e então, no final vem o arrependimento por não ter tido tempo suficiente pra ver o por do sol, pra abraçar seus familiares, pra ver seus filhos nascer e aprender a falar as primeiras palavras, ou as vezes por não ter filhos. Ver as flores desabrochar, aprender um novo hobby, fazer aquela viagem que você sempre quis fazer, visitar aqueles parentes que moram distantes e deixam uma grande saudade, tirar aquele projeto pessoal da gaveta, tomar banho de chuva, criar um cachorro e tantas outras infinitas coisas que a vida tem a oferecer para quem sabe respeitar sua essência e não perde tempo buscando preencher o vazio da sua alma com objetos e propriedades, busque uma vida com conteúdo, uma vida substancial.

O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira? (Marcos 8:36)

O consumismo impede que possamos expandir nossa consciência para um nível mais elevado, é preciso acordar, não há tempo.

Não há tempo, tão curta é a vida, para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações. Só há tempo para amar, e mesmo para isso, é só um instante. (Mark Twain)

Esvazie a mala, jogue fora, tudo que não te serve, ambição, sede de poder, rancor, vaidade…

Esvazie a mala, doe tudo que você tem em excesso e já não usa mais. Sabe aquelas roupas que ficam no canto do guarda roupa sem uso, as caixas cheias de coisas guardadas no fundo da casa. Sinta a liberdade de se desfazer, desapegar do material, para que duas escovas de dente com uma boca só?

É comum em mosteiros ao redor do mundo que monges troquem de quarto frequentemente para que não haja o perigo de se apegar com o ambiente, a cama ou o companheiro de quarto. Cabelos raspados, vestes simples, uma vida substancial, sem preocupação com vaidade ou objetos. Já pensou que senso de liberdade sair por ai sem se preocupar com carteira, telefone, nem as milhares de coisas da sua mochila.

Eu uso o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais… (Mogli, o livro da selva)

Esvazie a mala e aproveite a viagem.

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