torpor

não sinto minhas pernas
desde que ela me lançou um último sorriso
cabelos espalhados pelos ombros
olhar sinuoso, boca vacilante
como se soubesse o estrago que fez
sem sinal de culpa, nem piedade
nem me recordo como era antes

ninguém imaginava
nem eu
nem ela
uma noite para ser lembrada
durantes todas as noites seguintes

esses momentos são como música
duram o tempo suficiente
para você querer repetir sem parar
até que se perda a noção de tudo ao redor
e o corpo não responda mais
imerso em um torpor

o segredo é sempre deixar a música rolar
e não se desesperar
o corpo vai se encarregar
de lhe fazer lembrar

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