“Ela é minha namorada!”

Eu nunca entendi exatamente o porquê de você sempre repetir o que somos para as pessoas, mostrar os dentes para mim e depois envolver seu moletom da Hollister nas minhas costas em um abraço. E ainda por cima deixa minha testa grudenta com seu beijo.
Certo, sou sua namorada. E você grudenta para caramba! Você sabe o quanto não gosto de melosísses, e tenho a impertinente dúvida se você continua a fazer isso só para me provocar. Você é cruel demais!, porque sabe que não consigo resistir à seu desodorante quando se mistura com seu suor natural. Você sabe que eu sinto frio quando uma brisa leve nos atinge — então reconhece meu ponto fraco que são suas roupas quentes como um cobertor. 
Não podemos ficar sempre juntas. Não podemos ser pétalas de rosas que nunca se separam do botão, porca e farafuso, ou tênis e cadarços. Você viu o que fizeram com aquele cara que estava beijando outro cara no Shopping do Rio. Mal se dava para ver sua barba em meio à todo aquele sangue...
E nós? O que vai acontecer com a gente? As minhas panturrilhas tremem só de imaginar. Será que dava para nos beijarmos somente no quarto, de porta trancada, longe de tudo e de todos? Sempre me pareceu mais seguro.

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