Por que a educação é a queridinha da vez no Vale do Silício?

Educar e capacitar as pessoas, desde crianças, não é o modo de conter o avanço da tecnologia, mas é um modo de fazer com que esse avanço não se sobreponha à humanidade, causando descontrole e, consequentemente, caos.

Empresários, empreendedores e visionários como Bill Gates, Jorge Paulo Lemann, Mark Zuckerberg, Elon Musk, Larry Page, empresas como Apple, Google, Microsoft e as centenas de EdTechs surgindo no mundo parecem ter algo em comum: todos estão incomodados com a educação. Não é difícil encontrar projetos e investimentos recentes (e também não tão recentes) deles nesse mercado, como aqui e aqui.

A pergunta que fica é: por que?

Já li muitas respostas, com diferentes opiniões. Já me deparei com pessoas dizendo que é o “amadurecimento do Vale do Silício”, “o Vale do Silício se tornando mais humano”, “o Vale do Silício pensando no futuro da sociedade”, “o incômodo com o sistema atual de ensino” (gosto bastante dessa), entre diversas outras.

Bom, vou dar a minha. Eu concordo com muitas opiniões que li a esse respeito, mas acredito que muitos tenham esquecido algo crucial (ou, pelo menos, se alguém citou isso, eu não vi): medo. Medo que o avanço tecnológico acabe significando, no futuro, uma tecnologia mais inteligente que os seres humanos.

Não é de hoje que sabemos que essas pessoas e empresas citadas acima estão com medo das novas tecnologias, como por exemplo a Inteligência Artificial. Isso porque eles sabem que elas tem o poder de destruir milhões de empregos ao redor do mundo e, quem sabe, até dominar e destruir a sociedade.

Para mim, eles conseguem ver uma saída. Onde? Na educação. Educando e capacitando as pessoas, desde crianças, não é o modo de conter o avanço da tecnologia, mas é um modo de fazer com que esse avanço não se sobreponha à humanidade, causando descontrole e, consequentemente, caos.

Estudar, se capacitar, ingerir conhecimento e atualizar-se nunca foi tão necessário quanto agora, momento que o mundo está vendo de perto a chegada dessas novas tecnologias, principalmente a AI (Artificial Intelligence, Inteligência Artificial em inglês), que podem demitir você, eu e milhões de profissionais.

Ignorar que o mundo está mudando e recusar-se à aplicação dessa mudança no seu dia a dia e, principalmente, nas suas qualificações (pessoais e profissionais) é colocar seu futuro à beira de um abismo. Um grande abismo. Que, infelizmente, pode significar a sua morte.

Sim, usei um termo forte propositalmente. Para causar desconforto em quem está lendo. Mas, acredite, o desconforto pode ser muito maior se você não levar isso realmente a sério.

Não estou falando em morte física, estou falando em morte profissional, morte para o mercado de trabalho. Se você não conseguir entregar o resultado que sua empresa precisa, ou mesmo se o seu trabalho não requerer um esforço intelectual extraordinário, você será facilmente substituído por máquinas ou robôs que conseguem realizar seu esforço de uma semana inteira em poucas horas.

Não acredita? Então eu tenho algo a te mostrar, alguns exemplos que separei para este texto. Vamos ver se pelo menos planto uma sementinha de curiosidade na sua cabeça e consigo te fazer ir mais atrás do assunto.

O McDonald’s já está implementado máquinas em suas lojas físicas onde seus consumidores podem fazer pedidos e o pagamento, operação que pode substituir milhares de funcionários da empresa e ainda garantir maior eficiência. E pode aguardar mais novidade vindo por aí.

Um único robô da IBM Watson, plataforma de computação cognitiva da IBM, foi capaz de substituir o trabalho de 34 funcionários numa empresa de seguros no Japão.

A Foxconn, grande empresa chinesa, anunciou que trocou 60 mil funcionários por robôs e pretende continuar a automação.

A Changying Precision Technology Company, outra grande empresa da China, viu sua produtividade aumentar em 250% e suas falhas humanas caírem em 80% ao substituir 590 funcionários por robôs.

Tem também o caminhão autônomo da Uber que entregou 45 mil latas de cerveja depois de percorrer quase 200 quilômetros sem motorista.

Se você leu tudo isso e continua tranquilo, pensando que seu trabalho está seguro, afinal todos os exemplos são praticamente de esforços mais braçais e não muito intelectuais, temo ter más notícias para você.

Conhece o Warren? Se não, eu apresento: ele é um robô que ajuda a investir seu dinheiro para você. Sim, isso já é uma realidade e está plantando uma sementinha nos milhares de profissionais do setor financeiro ao redor do mundo. E ele não é o único.

Te dou ainda outro exemplo: no SXSW deste ano, o público conheceu um software capaz de escrever matérias jornalísticas inteiras sozinho, com mais rapidez e eficiência que humanos, que já é realidade nos maiores jornais do mundo como Washington Post e The New York Times.

Ou mais um: um software do JP Morgan consegue fazer em segundos um trabalho que demorava 360 mil horas para um advogado do banco.

Poderia aqui citar diversos outros exemplos, mas acredito que já consegui expressar meu ponto. E é por isso tudo que você leu (e muito mais) que a educação é a queridinha da vez.

AI já é uma realidade em quase todos os setores e não vai demorar muito para atingir realmente 100% deles. A Internet das Coisas, por exemplo, é algo capaz de ser implementado em tudo, desde a maçaneta da sua porta até a próxima nave da NASA, e ela está diretamente ligada à AI e ao seu futuro profissional. Se você não estiver preparado, você está em risco.

Uma coisa é certa: não podemos ficar parados. As pessoas que mais respiram inovação e tecnologia no mundo já perceberam isso e estão tentando ajudar, investindo e construindo soluções para melhorar a educação no mundo. Precisamos fazer a nossa parte.