Por que 2016 está sendo marcante para o cenário político mundial e o quê 2017 nos reserva?

2016 certamente vai entrar para a história como um ano marcado por grandes acontecimentos no âmbito político, não somente no cenário nacional, mas mundial.

No Brasil, por exemplo, além de termos o afastamento e posterior impeachment de Dilma Rousseff, ocorreram inúmeras prisões, punições ou afastamentos de políticos corruptos, como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e agora Renan Calheiros (embora a mesa diretora agora resolveu não acatar a liminar do ministro do STF, Marco Aurélio), todos acusados no envolvimento com crimes vergonhosos.

A operação Lava Jato prendeu muita gente envolvida (políticos e não políticos) em escândalos/crimes dos mais diversos, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica, organização criminosa, corrupção ativa e passiva. Sem falar nas outras operações da PF como a Zelotes e a Mamãe Noel que levou à prisão a prefeita de Ribeirão Preto por corrupção.

Inúmeras medidas, como PECs e pacotes de medidas foram e ainda estão sendo votados pelo congresso, principalmente depois da entrada de Temer no governo, projetos de grande influência no cotidiano/vida do brasileiro, como a PEC do teto de gastos, que junto com o projeto de reforma do ensino médio causou a ocupação de diversas escolas por parte de grupos estudantis; o pacote de 10 medidas anti-corrupção que foi modificado/corrompido/deturpado pela câmara em uma madrugada, o que causou revolta na população nos protestos do último domingo (04/12/2016), que exigiu a aprovação das 10 medidas originais; e a reforma da previdência que o congresso está prestes a votar.

Nas eleições municipais, houve uma rejeição impressionante contra o PT, que elegeu apenas um prefeito em capital nacional, mostrando uma queda sem precedentes da reputação/índice de aprovação de um partido recentemente dominante.

Quando falamos de cenário internacional, muita coisa também abalou/surpreendeu o mundo todo, como o Brexit, que foi a saída do Reindo Unido da UE, a rejeição do povo colombiano pelo acordo de paz com as FARC e a eleição de Donald Trump nos EUA, tudo isso, mostrando uma espécie de despertar conservador em uma considerável parte da população, que passou a rejeitar certas medidas populistas, pacifistas e globalistas, visando liberdade/crescimento econômico (mas não só), no caso do Brexit e na eleição de Trump, e rejeição à impunidade, como no caso da derrota do acordo pacifista na Colômbia.

Tendo em vista que tudo isso foi apenas um resumo de todo o terremoto ocorrido no campo político em 2016, e que acima de tudo, muitas pessoas passaram a se interessar mais pelo assunto (nesse caso, claro que só posso dizer pelo Brasil), contudo, a maioria ainda boia/dorme, o quê podemos esperar para o ano que se aproxima? Houve sim, um despertar de parte da população brasileira em relação às questões públicas, mas até quando isso durará, caso venha a cessar?

Ao mesmo tempo em que parte (ainda muito pequena) da população, a PF, o Ministério Público e uns gatos pingados no congresso e no STF, estão lutando incessantemente para combater a impunidade no país, uma classe política corrupta, suja, traidora, desleal, mentirosa, mas infelizmente predominante ainda mantém o poder. O quê esperar de 2017 então? Quem vai vencer? Eles ou nós, o Brasil?

Acontece que estamos perdendo há muitos anos, mas nossa derrota está cada vez mais injusta e humilhante, pois quando achamos que a situação está começando a dar uma melhorada, vem os canalhas e voltam a nos prejudicar, deturpando leis benéficas para o povo, assaltando os cofres públicos, tentando se perpetuar no poder, dentre outras atitudes que dão até ânsia de vômito só de pensar.

2017 se apresenta sim, como uma esperança, ao meu ver, ainda que pequena, mas não uma esperança gerada por algum político especificamente, mas sim, pelo povo brasileiro simples, trabalhador, pagador de impostos, assalariado ou empresário, mas que é antes de mais nada, justo e arca com seus compromissos, sem roubar, lesar ou prejudicar ninguém. Esse sim, pode (e deve) despertar de uma vez por todas, basta querer. E então uma luz no fim do túnel, poderemos sim, voltar a ver.


Originally published at marcospl.com.br on December 6, 2016.

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