Ide Valdanear

Marcos da Silva Junior
Nov 4 · 3 min read

Nasceu, por emoção, por importar-me com aquilo que ‘’o outro’’ faz, que me toca principalmente, o texto que tanto demorei a escrever/publicar. Começo de uma maneira bem tranquila, a passos bem curtos, pacífico, assim como e sobre quem(s) irei discorrer.

Em nosso cotidiano, na rotina que levamos, as vezes, ou quase a todo o momento, deixamos algo passar despercebido dos nossos olhos. Seja porque não nos importamos ou simplesmente porque vemos algo como comum. Isso é normal. Não há nada de estranho, — mesmo que algumas pessoas questionem- mas essa questão de certo e errado podemos deixar para falar numa outra oportunidade. O assunto neste momento é direcionado ao ‘’olhar’’.

O fato de percebermos, prestarmos atenção através do olhar em algo, ocorre porque esse olhar é educado, disciplinado a focar em determinada coisa e depreciar outras. E não se preocupe, esse também pode não ser um problema nosso.

Fitar os olhos ou a vista; mirar; atentar ou reparar em; zelar por ; exercer ou aplicar o sentido da vista. Essas são algumas das definições do verbo ‘’olhar’’, que muito se aproxima da poesia, singela e iluminada observação da fotógrafa Valda Nogueira. É emocionante, e vale ressaltar a importância dessa jovem para a formação de outres perspectivas imagéticas.

Fotógrafa e artista visual carioca, Valda, mulher negra, tinha formação e atuação em fotografia documental humanista. Povos, territórios, ancestralidade e cultura eram os temas centrais de seus projetos experimentais e documentais, conforme apresenta sua própria trajetória profissional.

Conseguimos, através de seus registros rememorar nossa infância no sítio de nossos avós. Nos enxergar também nas brincadeiras de criança no meio do mato. Além disso, acompanhar nossos pais no trabalho diário, para nos sustentar e manter a nossa sobrevivência.

Valda, conta através do olhar, a história de muitos. Olhar de luz, amor, paz e luta. Há em sua produção, espírito, delicadeza, personalidade. Sua captura opera no ‘’eu sou por que nós somos’’ a cada clique. Um ‘’ eu sou porque nós somos’’ doce e crítico. Um exercício contínuo do Ubuntu.

Os registros pela menina/mulher foram realizados em lugares diversos, como sua própria série nos mostra: ‘’ Comunidades Tradicionais’’ . A fotógrafa pretendia lançar mão de outras formas de vida, e por meio dessas também alcançar os seus, resgatar a sua cultura.

São detalhes que mesmo um leigo em técnicas fotográficas — como eu — percebe. O que fica, o que atravessa na obra de Valda é a simplicidade com que trata os seus. Pela lente de sua câmera, tem o poder de imortalizar o feixe de luz que atravessa a porta da casa de Dona Maria, uma remanescente quilombola da Mata dos Crioulos(Minas Gerais, 2015). Mulheres que se reúnem para uma oração à Santa Luzia na comunidade de rural Baixa do Barreiro( Minas Gerais, 2012).

É simplesmente um olhar cuidadoso e de perpetuação de uma tradição cujo legado foi deixado por nossos ancestrais. Disse através da imagem preta e branca que nós existimos. Valda Nogueira através de seus olhos eternizou e se eternizou como todo e qualquer escrito a mão. Nos deu um presente.

Ide Valdanear!

Crianças da comunidade quilombola São Raimundo se divertem em meio à natureza. Maranhão, 2015.

Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2019

Referências:

Nogueira, Valda. Valda Nogueira. Acesso em: <https://www.valdanogueira.com/> Disponível em 03 nov 2019

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, 1910–1989. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001

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