O acidente me jogou no tempo.
Aline Valek
1947

O mais legal é o banner do ônibus. Existe um sentido de objetividade maluco nessa coisa de “faça concurso”, “faça isso”, “faça tudo” e, seguindo essa linha de raciocínio, ser atropelada só te faria ficar por fora, sem poder realmente fazer nada.

Mas não é isso. Porque o que faz toda a diferença é saber lidar com o fato inevitável e encarar o “Mas porra. Não morri!” como um empurrão dentro do movimento que é a sua existência. Acho que a gente pode entender a vida de duas formas: se ver e se deixar ser empurrado — e às vezes atropelado — por ela, ou tomar a responsabilidade de tudo o que envolve estar vivo: a dor, o pesar, a angústia, mas também o amor, a alegria, o criar.

Encarar o segundo caminho é mais difícil. Mas é só com a coragem de enfrentar o que somos que podemos criar coisas belas e viver espalhando pros outros um pouco de esperança, de cuidado.

Linda HQ. Obrigado.