Pra não dizer que não falei das flores

Marcos Moraes
Jul 27, 2017 · 3 min read
foto de divulgação do projeto Vista Margarida

Hoje, 27 de julho, acontece em Campina Grande a apresentação do projeto, Vista Margarida, um espetáculo intermídia de teatro contemporâneo, que traz uma coleção de roupas baseada na história da sindicalista Margarida Maria Alves.O projeto é fruto do trabalho de conclusão de curso do estudante de Arte e Mídia, Lucas Truta. Além do desfile da coleção de roupas, o Vista Margarida, conta com a apresentação da cantora Sandra Belê e do grupo Caina dos Crioulas, de Alagoa Grande, cidade onde Margarida viveu.

Lendo o release do evento, lembrei de um texto meu que foi publicado no extinto Jornal Diário da Borborema, sobre um livro que fala justamente como viveu e morreu Margarida Maria Alves. Abaixo segue o texto como foi originalmente publicado.

Homenagem as Margaridas, Penhas e Dorothis

Na semana que antecede o dia Internacional da Mulher, apresento em forma de dica literária a minha homenagem. Recentemente na biblioteca do Curso de Comunicação Social encontrei o livro do Jornalista e Escritor Sebastião Barbosa, cujo título é: “A mão armada do Latifúndio: Margarida quantos ainda morrerão?

Essa reportagem romanceada como define o próprio autor, relata a historia de luta e martírio de Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, assassinada por denunciar as injustiças cometidas pelos grandes proprietários de terra daquela região. A mão armada do Latifúndio, embora date de 1984 é extremamente atual, sendo uma reportagem que relata de forma fiel uma sociedade, que trata com violência quem luta por igualdade e justiça, principalmente quando essas pessoas são mulheres.

Muitas margaridas florescem e gritam por justiça e igualdade pelo país afora. Durante essa semana em virtude do dia 08 de março, as mulheres estarão no centro da pauta nacional. Porém essa atenção não vem seguida de uma reflexão, a respeito dos direitos negados e as violências que são cometidas todos os dias com aquelas que são nossas mães, esposas e filhas.

A Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completou dois anos em 2008. Sancionada em agosto de 2006, a Lei nº 11.340 possibilitou avanços, mas, segundo entidades que prestam atendimento às mulheres, ainda falta muito para que ela seja totalmente implementada. Passado dois anos de vigência da lei, infelizmente é forçoso reconhecer que os avanços foram pequenos, até porque a aplicação da lei, em face de sua natureza, exige a criação dos Juizados e Especial contra a Violência a Mulher.

Quem ler o livro do Sebastião não perderá tempo e conhecerá um ahistoria de luta e profetismo de uma grande mulher. Para os que não tiverem a oportunidade de ler transcrevo um trecho escrito, pelo na época Arcebispo da Paraíba D. José Maria Pires, que relata os motivos da morte de Margarida.

(…) Margarida cresceu na consciência crítica e se tornou perigosa. Agia com destemor em defesa da classe e levava à justiça quem violasse direitos dos trabalhadores. A partir daí estava decretada a sua morte. Era questão de se escolher a oportunidade. Outros tombaram antes dela, vários tombarão, depois, muitos ainda tombarão.

Todas as homenagens devem ser prestadas as mulheres, não só durante o oito de março, mais todos os dias. Acredito que bem homenagearemos se evitarmos que mais margaridas sejam despetaladas, pelas mãos crués da injustiça e da violência.

Boa Leitura a tod@s!

Marcos Moraes
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