coisas sem absolutamente nenhum significado

os recentes acontecimentos eram como uma salada de palavras que a vida colocou, sussurrou, gargarejou, e escorregou para dentro de si chegando a uma solução tão incrível quanto escrever coisas sem sentido. então acho que se a coisa toda fosse ficar sem significado os dedos e as vértebras e os ligamentos e as folhas que caiam no outono de mil novecentos e 30 não teriam chegado tão longe. assim como essa vontade. era o que se dizia no povoado de vila velha.

se a silhueta infame daquele pássaro não fosse tão incrivelmente atraente, peixes e golfinhos provavelmente continuariam achando que galhos de árvores se colocam entre arbustos por serem mais espertos e destemidos à medida em que alcançam o nirvana.

moraria sempre em cavernas tão profundas que se fosse daltônico teria que se levantar e falar baixinho enquanto pisava em pequenos insetos que também queriam voar para muito longe dali. ou seja: se a movimentação das estrelas e cometas no sentido sul levou, de fato, ao surgimento de uma nova forma de pensamento, isso quer dizer que nada se compara ao surgimento de novas formas de expressão voluntária. a menos que se tenha em mente algo imbatível e destemido como a raiva de um hamster.

a lua em novembro de 1500 a.c. não estava para brincadeira. ela brilhava a ponto de se levantar cada vez mais e se soltar feito purpurina do céu enquanto se banhava em tinta rósea, o que acabou resultando em nuvens tão lindas e saborosas quanto leite condensado.

agora, me pergunte. te pergunto. isso tudo faz parte de um desejo incrível de ter algo que não existe? digo com toda a certeza: estamos todos no mesmo barco.

e digo mais. faz tanto sentido que se poderia falar durante horas. e dias. (a menos que seja interrompido por um outro pensamento. então, aí sim: décadas).

passe bem.