Um log de leituras — parte 1

http://smbc-comics.com/index.php?id=2447

Este texto não tem conexão direta com as atividades do LEQ, mas nasceu por causa de dois textos que escrevi para o nosso canal Hipótese Nula. Começa com este, e depois veio este aqui. Mas, daqui pra frente, é mais um texto pessoal, beleza? E na verdade é mais do que isso: acho que escrevi isso mais para mim mesmo (para me ajudar a lembrar, refletir sobre as coisas e tal) do que pra qualquer outra coisa. Mas ficarei feliz se vocês quiserem comentar e bater um papo sobre qualquer assunto levantado aqui. :)

O meu objetivo é simples: quero tentar construir um “log”, um registro (quase) completo das minhas leituras (era uma das dicas sobre como ler mais, lembram?). E quero incluir aqui todos os livros que eu li! Vai dar trabalho, e muita coisa vai ser esquecida, mas acho que o desafio vai ser divertido. E na medida em que listar os livros, vou tentar comentar alguma coisa — relevante ou não! — sobre cada um. Bora lá!

Tive a felicidade de crescer num casa de leitores: sou filho caçula, e todos lá em casa tinham o hábito de ler. Em casa tinha um escritório com uma estante lotada de livros dos meus pais, e meus irmãos tinham algumas coisas também. Então começou fácil pra mim, estava tudo na mão. Por isso, vou tentar começar beeeeem do começo mesmo!

Começando pelo começo: a infância.

Aqui é claro que muitas lembranças serão vagas, e com toda a certeza vou deixar passar um monte de coisas. Possivelmente estou relatando aqui coisas que li com uns 10 anos de idade em diante, mas não tenho certeza. Pra começar, algo de que lembro bem de ter lido:

Qualquer pessoa com uns 30 e poucos anos que cresceu no Brasil sabe do que estou falando. ;) Lembro de ter lido “O escaravelho do diabo”, “Na mira do vampiro”, “Um cadáver ouve rádio”, “O rapto do garoto de ouro” e com certeza li mais uns tantos, mas não vou me lembrar. Sei que eu gostava da maioria, mas não guardo muitas recordações claras e diretas deles. Em algum momento desta época, com certeza li também:

Não sei bem ao certo quando li, mas sei que li e me lembro um pouco da história, e do final (sem spoliers, hahaha).

Sei que a lista de livros infantis deve ter sido grande, mas realmente não consigo lembrar de mais algum no momento… :( Então vamos seguir no tempo!

Adolescência nerd e coisas do ensino médio

Lá pela sétima ou oitava série do ensino fundamental (que hoje seriam o oitavo e o nono ano), resolvi começar a ler “coisa de gente grande”. Consigo fazer uma boa “localização temporal” aqui, pois na sétima série fui para uma nova escola, então tenho este marco no tempo para ajudar. :) Minha primeira aventura foi com:

Péssima escolha… :p Mas não me entendam mal! O livro é bom, mas eu, na época, esperava muita ação e aventura (como no filme), e o livro tem um ritmo bem diferente. Minhas memórias são vagas, mas se não me engano há um capítulo inteiro apenas para descrever fisicamente a ilha Nublar. Eu lia, lia, e ficava esperando os dinossauros aparecerem e o caos começar, mas demorava. E eu só queria ver uns velociraptores causando um pouquinho de violência, snif, snif…. Se eu tivesse lido este livro uns anos depois, teria aproveitado bem mais. Ah, e acho que daí nasceu um hábito meu que não é muito bom: se não estou gostando do livro, eu sofro, mas leio até o final. Coisa besta, né? :p

https://xkcd.com/87/

Depois disso, as coisas ficam um pouco confusas em termos de ordem de leitura, mas consigo pensar no que eu li na época (talvez já com sobreposição com as minhas leituras no ensino médio). Na sequência, eu provavelmente li:

Aí foi uma escolha bacana: histórias envolvendo o rei Arthur e a Távola Redonda, fantástico para uma adolescente nerd! :D

Agora, esta obra teve em mim um efeito bem curioso: me fez refletir um bocado sobre questões como intolerância religiosa, veja só! É que um dos panos de fundo dos livros envolve o conflito entre as religiões pagãs dos saxões e o cristianismo, e a coisa toda me fez pensar um bocado, já que eu cresci em um lar católico e não tinha muito contato com outras religiões. Por conta do desenrolar da história e das atitudes de alguns dos personagens, eu passei a encarar e pensar em questões religiosas com a mente muito mais aberta do que antes. Interessante que eu nem acho que isto era um aspecto proposital da obra, mas foi algo que me marcou.

Uma pausa para um joguinho de RPG!

Ei, esqueci de mencionar algo importante aqui! Foi mais ou menos nesta época que eu tive meu primeiro contato com o universo dos jogos de RPG (não confunda com os jogos eletrônicos, estou falando aqui do bom e velho RPG “de mesa”). Tudo começou quando esbarrei, por acaso, com o primeiro número da finada e saudosa Dragão Brasil (temos mais um marco no tempo aqui; a DB foi lançada em 1994, quando eu tinha 12 para 13 anos, na sétima série!). Naquele mesmo ano eu ganhei aquela edição antiga do D&D, que vem na caixa com o dragão vermelho. Isso teve um impacto imenso nas minhas leituras, pois me lançou no mundo das obras de fantasia medieval e, mais tarde, ficção científica, terrror e outras coisas, já que muitos dos jogos de RPG são diretamente inspirados em obras literárias (Tolkien e Lovecraft que o digam!). Isto foi um marco importante pra mim, pois moldou bastante o meu gosto por certos gêneros literários.

Agora as coisas se misturam um pouco, não vou saber dizer a sequência exata, mas foram leituras rolando ali entre o final do fundamental e o começo do médio. Por esta época, eu explorei mais a biblioteca dos meus pais, e sei que li alguns outros livros da MZB:

  • A queda de Atlântida
  • A sacerdotisa de Avalon
  • Mais algum outro? É possível, acho que tinham mais livros dela lá, mas não consigo me lembrar…

Na época eu lia sem perceber isso de maneira clara, mas hoje entendo como os livros dela tem uma característica interessante: são histórias quase sempre centradas em personagens femininas. Hoje encaro isso como uma coisa muito legal, já que não é comum assim na literatura, em especial na literatura de fantasia.

E aí, continuando com o escritório de casa, li vários livros do Robin Cook:

  • Cromossomo 6
  • Coma
  • Terminal
  • Cura Fatal
  • E talvez outros, não sei com certeza. Acho que meu pai é fã dele, pois eram vários livros do autor por lá. ;)

E vários do Ken Follet:

  • Pilares da Terra
  • O buraco da agulha
  • Noite sobre as águas

Não são autores pelos quais hoje eu tenha algum apreço especial, mas são leituras leves, dessas que correm com facilidade. Acho que são leituras daquelas que equivalem a um filme bem leve: não te leva a refletir ou coisas assim, mas é um bom entretenimento (e leitura pode ser isso também!).

Nesta época, o meu critério era simples: olhava a lombada dos livros, puxava alguns, e escolhia pela capa mesmo. Quando lia uma coisa que gostava, pegava todos os outros livros do mesmo autor que estavam lá e lia. E uma coisa legal era que meus pais estavam sempre aumentando a coleção: uma das editoras da época era o Círculo do Livro, que enviava catálogos todo mês pelo correio (nope, sem internet naqueles tempos, hehehe). Então sempre tinha alguma coisa nova pra ler! Acho que foi mais ou menos nesta época que esbarrei com uma série bacana, que depois fui descobrir que se chamava Saga Plantageneta, do Jean Plaidy. Meus pais não tinham todos os livros, e na época em nem sabia que era uma série grande (são 14 livros!), então li os que estavam lá:

  • Prelúdio de sangue
  • O crepúsculo da águia
  • O coração de leão
  • O príncipe das trevas

Apesar da ambientação ser histórica, a temática medieval ainda mexeu bastante comigo, empolgado que estava com os jogos de D&D.

Ah sim, e em algum momento desta época eu li alguns livros da Agatha Christie! Engraçado que só consigo me lembrar claramente de um:

Mas com toda certeza li outros, sei disso. Só não consigo me lembrar. :p

Bom, eu estou bem certo de que outras coisas ali do escritório de casa foram lidas por mim, mas é difícil lembrar de tantas coisas. Então, continuando, e saindo um pouco do escritório, mas ainda com um pé nos jogos de RPG, eu finalmente li (acho que era no último ano do ensino fundamental):

  • O Hobbit
  • O Senhor dos Anéis

Dispensam apresentações, né? Naquela época, antes dos filmes, era um atestado de nerdice conhecer essas obras! :D Li, e adorei, e me lembro que durante o ensino médio li de novo. Acho que nunca li outra coisa duas vezes — ainda mais uma obra tão grande quanto o Senhor dos Anéis. Do Tolkien, apesar de eu conhecer um pouco das outras obras (como o Silmarillion e os Contos Inacabados), acabei não lendo mais nada. Mas é um autor muito importante pra mim, com certeza.

Também deve ter sido na mesma época em que eu li (o livro era da minha irmã, acho):

E, mais tarde, da mesma autora:

Gostei bastante do primeiro, nem tanto do segundo. Cheguei a ficar curioso com a série (sei que pelo menos mais um livro viria na sequência), mas não cheguei a ler. Apesar da época exata não ser clara pra mim, deve ter sido ali em algum momento do ensino médio, já que a obra da Anne Rice é uma das inspirações importantes do RPG Vampiro: a Máscara.

Estou quase certo que a Anne Rice foi a minha introdução à literatura de terror. Mais tarde fui mais “na fonte” ler Poe e Lovecraft, mas isso só no “próximo capítulo”, sobre as minhas leituras na universidade. E ainda tenho alguns clássicos “na fila” para ler deste gênero, com Bran Stoker e Mary Shelley me aguardando.

E mais uma vez, “mais ou menos por esta época” também (e também como influência direta do RPG), li um livro de contos de robôs do Asimov (Visões de Robô), que acho que deve ter sido meu primeiro livro de ficção científica! Aliás, ótimo começo, pois adoro o Asimov. Foi um dos livros do Círculo do Livro, que mencionei antes:

Depois também li dele um dos livros “soltos”, que não fazem parte de série:

Ao longo da vida, li várias contos avulsos do Asimov, especialmente sobre robôs, distribuídos em livros e revistas de contos de ficção científica. Mas o meu gosto por FC só foi avançar mais tarde, quando comecei a ir atrás de outros autores. Então depois falo mais disso. ;)

Ei, e os livros de escola?!

Pois é! É claro que no ensino médio nós lemos um bocado de coisas como parte obrigatória das nossas atividades. Tive a felicidade de ter gostado de várias coisas, e possivelmente estou me esquecendo das coisas que não gostei, rsrsrs Algumas coisas das quais eu gostei na época:

Todos os três foram leituras agradáveis (o último eu lembro de ter lido para o vestibular). Mais tarde voltei ao Machado de Assis e li mais coisas dele, mas falamos disso depois também.

E talvez o autor mais importante para mim nesta etapa tenha sido o Graciliano Ramos, que é hoje um dos meus autores favoritos. No ensino médio eu na verdade li só um:

Lembro que gostei muito, muito mesmo da leitura. Mais tarde, já nos tempos de graduação, fui lendo várias outras obras do Graciliano, e depois falo disso (tá ficando repetitivo, não é?).

E daí pra frente?

Bom, a esta altura, estou de novo começando a entrar em terreno confuso, na medida em que posso começar a confundir coisas que li durante a graduação com coisas lidas ainda no ensino médio. Mas acho que a divisão está mais ou menos certa. E, de novo, devo estar deixando coisas lidas de lado, mas aí é inevitável…

Ufa! Olhando aqui tudo o que escrevi, estou com medo de estar tudo muito confuso e mal organizado, mas acho que não podia ser diferente, já que estou puxando coisas distantes na memória. Enfim, se você teve a paciência de acompanhar até aqui, parabéns! A lista vai continuar, mas como a próxima parte deve ter ainda mais títulos, vou deixar pra depois. O que vem a seguir é a minha vida como estudante de graduação na UFV, onde eu tinha à disposição uma biblioteca imensa me esperando. :) Acho que vou ter que continuar de forma mais expressa, com mais listas e menos comentários paralelos, pois a minha vida na graduação certamente foi um dos meus momentos mais produtivos em termos de leitura.


Se eu tiver coragem de continuar a escrever sobre isso (e vocês, de ler), nos vemos no próximo texto! :D

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